terça-feira, 4 de novembro de 2014

Envelhecimento: viver sem tempos mortos

A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido embora eu esteja instalada na velhice”. Simone Beauvoir

Envelhecer é algo sutil, vem aos poucos, em pequenas coisas e nos mais simples comportamentos. É assim, que somos convidados à adaptação. Percebemos essa transição quando mudamos de faixa etária no censo e nas pesquisas quantitativas. Notamos a idade na mudança do valor do plano de saúde. Sim, envelhecer é pertencer a novos grupos, é também parte do mundo capitalista.
Nós vivemos ciclos de vida e rituais que anunciam nosso envelhecer. Nós entramos na universidade, automaticamente no mercado de trabalho. Nós nos tornamos referência aos mais jovens. Somos muitos, somos parte de um coletivo em que as mudanças e transformações são parte do cotidiano de nossas ações.

O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou para mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. Que espaço o meu passado deixa para minha liberdade hoje?”

Novamente o tempo, a partir de Simone Beauvoir somos lançados ao nossos medos, desejos, expectativas futuras. Somos o nosso passado e o nosso futuro. Somos o tempo presente, a vida presente. Não perdemos a fé na humanidade, até porque isso seria por demais forte e pessimista de acordo com as necessidades. Qual o espaço de ser livre? Buscamos incansavelmente a nossa liberdade e o nosso poder de escolha, dia após dia. Com toda a energia vivemos a procura de nós mesmos. Vivemos sem perder a esperança de que o novo sempre virá a nos arrebatar.

Com isso, querida Simone Beauvoir, concordo com você: “Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos”.