sábado, 5 de julho de 2014

Gentileza Gera Gentileza

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro ficou coberta de tinta. 

Marisa Monte

A frase famosa do profeta Gentileza, escrita nas ruas do Rio de Janeiro na década de 80, representa bem o momento atual que nós passamos. Talvez por isso o chamem de "o profeta". Essa crescente falta de tolerância é a contramão da modernidade. Aliás, viver no século XXI é conviver com racismo, humilhação à mulher, homofobia? Moderno é ser conservador? Sempre pensei que viveríamos o século das transformações, mas não as restritas à tecnologia e à ciência médica. Transformar é modificar, é fazer de novo. Sempre temos a chance de nos inspirarmos com o novo, com a possibilidade de criarmos novos caminhos. Ser moderno não é ser jovem, ser moderno é ser livre, mas livre de intolerância. As pessoas, de alguma forma, confundem, muitas vezes, liberdade e democracia com respeito. Há um limite não muito tênue entre dizer o que se pensa e liberdade de expressão. Hitler disse o que pensava. E como ele a história tem vários exemplos. Não somos perfeitos, aliás, talvez nunca seremos; porém, podemos dia após dia buscarmos sermos mais humanos e nos afetarmos com a situação do outro. Não podemos cobrar das instâncias de poder - jurídico e político uma postura que não exercemos no nosso cotidiano e com nossos filhos. Somos o exemplo e não a consequência. Somos o ato e não o reflexo. Como diz a canção de Marisa Monte - "Amor palavra que liberta. Já dizia o profeta".

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