quarta-feira, 23 de julho de 2014

Somos todos Suassuna

"O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado". 

Ariano Suassuna

O que é ser brasileiro? É provavelmente ser Chicó, João Grilo... É ser Ariano. É olhar para o que nós temos de melhor sem vergonha da nossa cultura e daquilo que nós somos. Ao mesmo tempo em que podemos criticar e nos posicionar diante da opressão social e financeira. A obra desse artesão das palavras é evidenciar o nosso nacionalismo, no sentido claro e sincero - longe do ufanismo demagógico. Nunca o vi pessoalmente, mas em suas entrevistas e obras sinto como se ele estivesse ao meu lado, como se o visse em cada pessoa no cotidiano das nossas cidades. Compreendemos o Brasil lendo as personagens que saem dos livros e ganham as ruas. A literatura que sai do acadêmico e da aristocracia e mostra, de maneira simples e intensa, quem somos de fato como Nação. Conhecemos o Brasil lendo suas obras, ouvindo seus causos. A escrita simples, e que me perdoem os eruditos parnasianos, é o que há de mais rebuscado na arte das palavras.

sábado, 5 de julho de 2014

Gentileza Gera Gentileza

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro ficou coberta de tinta. 

Marisa Monte

A frase famosa do profeta Gentileza, escrita nas ruas do Rio de Janeiro na década de 80, representa bem o momento atual que nós passamos. Talvez por isso o chamem de "o profeta". Essa crescente falta de tolerância é a contramão da modernidade. Aliás, viver no século XXI é conviver com racismo, humilhação à mulher, homofobia? Moderno é ser conservador? Sempre pensei que viveríamos o século das transformações, mas não as restritas à tecnologia e à ciência médica. Transformar é modificar, é fazer de novo. Sempre temos a chance de nos inspirarmos com o novo, com a possibilidade de criarmos novos caminhos. Ser moderno não é ser jovem, ser moderno é ser livre, mas livre de intolerância. As pessoas, de alguma forma, confundem, muitas vezes, liberdade e democracia com respeito. Há um limite não muito tênue entre dizer o que se pensa e liberdade de expressão. Hitler disse o que pensava. E como ele a história tem vários exemplos. Não somos perfeitos, aliás, talvez nunca seremos; porém, podemos dia após dia buscarmos sermos mais humanos e nos afetarmos com a situação do outro. Não podemos cobrar das instâncias de poder - jurídico e político uma postura que não exercemos no nosso cotidiano e com nossos filhos. Somos o exemplo e não a consequência. Somos o ato e não o reflexo. Como diz a canção de Marisa Monte - "Amor palavra que liberta. Já dizia o profeta".