terça-feira, 27 de maio de 2014

Cotidiano

"Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã". 

Estamos sempre procurando nosso equilíbrio nas relações, de alguma maneira sabemos o que nos deixa feliz, e acima disso, sabemos o que nós queremos da vida. E ter a consciência sobre o que nós queremos é um grande passo para nossas escolhas. Mas então porque reclamamos tanto da tal zona de conforto se nós buscamos o tempo todo estabilidade? 

"Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar, e essas coisas que diz toda mulher. Diz que está me esperando pro jantar, e me beija com a boca de café". 

Repetição? Conformismo? Hábito? Queremos todos os dias um amor intenso capaz de mudar nossa vida ou nos tornamos felizes nos gestos mais simples e menos intencionais? Caminhamos novamente tentando amar e sermos amados, e com isso, é das relações que estabelecemos que somos capazes de nos confrontarmos com nossos desejos e com nossas certezas.

"Todo dia eu só penso em poder parar, meio dia eu só penso em dizer não. Depois penso na vida pra levar e me calo com a boca de feijão". 

O que eu faço de minha vida? Com que escolhas eu me deparo no dia a dia? Quais os pesos e medidas que eu dou às minhas escolhas? 

"Seis da tarde como era de se esperar. Ela pega e me espera no portão. Diz que está muito louca pra beijar. E me beija com a boca de paixão". 

A vida segue seu rumo, muitas vezes fazemos o que é possível. E o que é possível? Não somos capazes de uma vida intensa e cinematográfica? Mas quem seria? Somos o que somos...

"Todo dia ela faz tudo sempre igual. Me sacode às seis horas da manhã. Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã". 

É Chico Buarque... Vivemos nosso cotidiano a espera do futuro e que esse futuro chegue compartilhado com amor e afeto.

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