segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Gentileza gera gentileza


"A verdadeira tarefa política é a reconstrução de nossos afetos”. (SAFATLE, 2014)
 
Podemos nos perguntar o que acontece nesse momento em que convivemos com tanta intolerância.  Se observarmos os comentários nas redes sociais, ficamos com a sensação de que -para muitos - não há empatia às situações vividas, e de que as pessoas não se colocam no lugar do outro. Postagens sobre acontecimentos trágicos exibem comentários chocantes que nos fazem pensar se realmente as pessoas sentem a dor alheia. E mais do que isso, o quanto as pessoas expressam a violência seja em ações ou e em palavras. É isso que chamamos de democracia? Há uma distinção evidente entre liberdade de expressão e disseminação de ódio e preconceito. Seria o Brasil um país violento que por décadas negamos com a falsa ilusão de que aceitamos tudo e todos? Safatle em sua crônica na Folha de S. Paulo nos convida ao exercício de que política (no que se refere ao modo de se se viver em sociedade, de se pensar atos e leis) tem por princípio a reconstrução dos afetos. E construir novamente algo que perdemos ou que esquecemos? Lidar com o sofrimento de outrem é permitir se afetar pelo o sofrimento exposto à sua frente, e essa, é a possibilidade de reconstrução dos afetos - a implicação verdadeira ao outro. Essas poucas palavras não concluem a época em que vivemos, mas propõem uma reflexão sobre o que fazemos no cotidiano de nossas ações. É sempre tempo de Gentileza! E não deixemos que apaguem tudo e pintem tudo de cinza. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Percepção


“As coisas nos olham. O mundo visível é um excitante perpétuo – tudo desperta ou alimenta o instinto de se apropriar da figura ou do modelado da coisa que o olhar constrói”.   
(Valéry)

Podemos pensar em essência das coisas, termo clássico da abordagem fenomenológica existencial, ao contrário àquela que se mostra como futuro das coisas, e sim como aquilo que ainda não aconteceu. Isso nos leva ao pensamento de que o movimento e acontecimento das coisas se apresentam ao homem como sendo a percepção dessas mesmas coisas. E nesse acontecer é que a percepção se reafirma. De acordo com a teoria fenomenológica merleau-pontyana, o fato é justamente (ou simplesmente) aquilo que se apresenta. Cada um de nós possui olhares pessoais e plurais para os fenômenos, que se colocam sempre imersos no mundo.
Podemos compreender o homem como o ser que se expressa, tendo como base a própria experiência vivida; e nos perguntamos então, sobre o mundo e como ele é percebido. No mesmo instante em que nos indagamos qual a direção que o nosso olhar se move. É certo pensarmos que no cotidiano de nossas ações essa indagação não é feita, ao menos não a expressamos. O olhar vai para algum lugar e nos movemos sem pensar muito, no dia-a-dia. Em qual momento fazemos esta pergunta? Caminharemos no entendimento dessa interrogação.  Mas antes disso fica a reflexão a vocês sobre o assunto!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Perdão e Gratidão

"O homem é só um laço de relações, apenas as relações contam para o homem”.
(Saint-Exupéry)
 

Independente de gostarem ou não de novela, precisamos reconhecer que a cena final de "Amor à Vida" nos emocionou porque se aproxima da realidade de todos nós e fala sobre sentimentos humanos e cotidianos. O filho (Félix) que cuida do pai doente (César) no final da vida, apesar de todas as humilhações sofridas, mostra o quanto o amor pode nos fazer perdoar. Da mesma forma que o pai opressor e preconceituoso agradece ao filho ao reconhecer o cuidado recebido. Sim, somos levados à emoção pelas ótimas atuações e direção, mas sabemos que em nosso caminho existencial quantas vezes somos pegos nessa mesma situação. Como deixar a mágoa para trás e seguir? O perdão é antes de tudo, o perdão de si mesmo. É resignificar as relações vividas o tempo todo. É o tempo que nasce de minhas relações com as coisas. O tempo da recordação e o tempo do amor. Vamos pensar que nas relações vividas nós sempre fazemos o que é possível. E o possível é a possibilidade de nos soltarmos de nossa culpa eterna. Viver é o que há de mais libertador.