segunda-feira, 13 de maio de 2013

O Anjo Pornográfico

Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.

(Nelson Rodrigues) 

O que é ser homem no século XXI? Parece frase bem clichê mas vamos ampliar a pergunta para o que é educar um filho homem? Foi lendo o livro "Homens e suas máscaras" do Luiz Cuschnir (que aliás eu recomendo) há uns dez anos que pensei como se dá a relação de pais e filho em meio a tantas mudanças culturais. O homem forte, herói, desbravador e sem medo foi superado por algo mais real e verdadeiro? Será que os homens já podem se mostrar da maneira como gostariam? Pesquisas científicas sempre vão nos mostrar algo do tipo - veja se o seu cérebro é mais masculino ou feminino. O metrossexual inspirado nos jogadores de futebol "autorizam" os meninos a pensar em moda, em como se vestir e se cuidar, porque o jogador de futebol é símbolo de masculinidade. Revistas masculinas podem expandir o universo do apelo sexual e se aproximar do que é o homem de fato? São tantas perguntas, o que está em jogo é o respeito pelo universo infaltil que por si mesmo é lúdico. Menino pode brincar de boneca e menina de bola? As mães conseguem ser felizes se virem sua filha jogando bola? Fujam do medo da sexualidade. Isso não está em jogo; mas sim o direito a liberdade; o direito a conhecerem o mundo pelo buraco da fechadura como todo menino já fez e sempre fará. Somos mais práticos, talvez. Somos mais focados e menos emocionais, quem sabe. Somos o que somos, como diria Arnaldo Antunes, inclassificáveis.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Eu e o outro



A possibilidade de resignificar é a partir de mim para o outro; assim o mundo se mostra ao homem da mesma forma que o homem se coloca no mundo. Os tempos vividos: presente, passado e futuro se misturam no exato momento em que o futuro é o instante após o presente. O amanhã se mostra no instante seguinte que o presente se tornou passado.
Nessas várias possibilidades de ser, vivemos a intensidade da vida compartilhada, da vida com o outro. E quem é esse outro que chega até mim? O corpo do outro existe para mim na medida em que eu me certifico de meu próprio corpo. O corpo lançado ao outro, ao mundo, as várias possibilidades.
Desta maneira, é possível pensarmos que nós olhamos e somos olhados o tempo todo, e assim, a arte é nos apresentada como forma de expressão, comunicação; ampliando as possibilidades do olhar. A arte é palavra, é percepção, é corpo é subjetividade. O corpo do outro, daquele que se expressa é o mesmo corpo de quem o vê; porém somos sujeitos particulares e nossa subjetividade é que nos diferencia. Estamos todos imersos nesse fundo de natureza, nessa sociedade e na cultura em que nascemos.
Vivemos o nosso caminho com a certeza da finitude, buscamos a vida tal qual nossa possibilidade de sermos sujeitos ativos, sonhadores, que experimentam, que lutam pelas vontades e desejos e que nesse andar procuramos sempre a liberdade de ser como a gente quer ser e como a gente pode ser.