segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ansiedade

O que fazer quando o celular não toca quando esperamos uma ligação; ou estamos no aeroporto esperando alguém que não vemos há tempo e o vôo atrasou? Sim, todos nós ficamos a espera de alguma coisa e esse algo que está no futuro e nos deixa com a sensação estranha de que o tempo não passa é a ansiedade. Vivemos a cada instante a relação tempo e espera. Ansiedade é algo que faz parte da vida de todos nós; o que vai determinar se aqueles sintomas são consequência de um momento específico ou se já se transformaram em um transtorno é a duração, frequência e intensidade dos sintomas. E isso associado à diminuição ou perda das coisas que mais gostamos de fazer. Se a ansiedade é então sobre algo que ainda não aconteceu, ela nos fala sobre como lidamos com o futuro e desra forma, como vivemos nosso presente. O que fazemos de nós mesmos hoje. Existem várias formas de amenizar a ansiedade como por exemplo, reconhecer o que ou quem nos causa irritação, quais os lugares, situações estressantes, por que o futuro é sempre melhor do que o presente... Enfim, trabalhar estratégias de enfrentamento e reconhecer em si mesmo o que acontece que gera essa sensação ruim. Ansiedade se manifesta em sintomas físicos também. Olhar para si mesmo e reconhecer seu limite é o caminho!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Diálogos psicológicos

O que nos move? Vocês querem o que desejam? O que queremos quando fazemos o curso de Psicologia? O que você espera dessa profissão? 
Vamos construindo nosso modo de ser nesse campo profissional muito de acordo com o que acreditamos enquanto visão de mundo. Mas é certo que o curso de Psicologia e a diversidade com a qual somos convidados a conhecer nos transformam dia-a-dia. Somos cada vez mais sensíveis às questões e conexões do meio social e com o comportamento de cada um; suspendemos nossos pré-conceitos e ouvimos o outro no que há de mais puro e próximo daquilo que o outro nos mostra.
A parte essas reflexões sinto a cada dia mais que o profissional da saúde, em especial nós que convivemos com o outro o tempo todo, nós enquanto profissionais devemos conhecer nossos próprios limites pessoais e profissionais. Sim, é fundamental que a gente saiba o que nesse universo tão amplo e complexo bate em nós a ponto de nos desestruturarmos. Pois é a partir desse olhar para nossas próprias questões conflitantes e para nossas próprias questões limites que saberemos nosso lugar na construção conjunta que é o papel do psicólogo com o outro.Não seremos menores com isso, ao contrário, seremos honestos com nós mesmos, com o outro e com nossa atuação.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O que fazemos daquilo que somos?

O que fazemos daquilo que somos? Atuar em psicologia é antes de mais nada olhar a si mesmo. Somos o tempo todo confrontado com o que somos, com a nossa própria história, com nossos próprios sentimentos. Aos estudantes costumo dizer que devemos olhar pra nós mesmos, cuidar da gente, refletir sobre o que fazemos na nossa família, na comunidade e assim chegarmos à universidade. Os estágios, os empregos, as aulas sempre nos mostram realidades e o mais íntegro possível é a gente assumir a nós mesmos o nosso limite como humano, pois desta maneira assumimos nosso limite técnico. Se nós não nos sentimos bem atuando em um setor por exemplo por que insistir nisso? Não é mais justo com o outro deixar esse atendimento para quem de fato está entregue àquilo? Por outro lado é impossível sair a mesma pessoa do curso de psicologia, não porque ela funcione como psicoterapia de grupo, longe disso aliás, mas porque colocamos em suspensão nossos pré-conceitos e olhamos as várias possibilidades de existência, de sentidos... Ser psicólogo é viver a diversidade sem julgamento e na tentativa de potencializar nos sujeitos sua autonomia. Liberdade é uma palavra tão usada mas com tamanha complexidade de conceito. Ser livre é de fato estar próximo a si mesmo. Liberdade é optar pelo caminho do respeito. Somos sempre uma entre várias possibilidades. Somos o incompleto. 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Tempo da espera

Tempo. Palavra que nos remete a tantos caminhos. E assim a tantas (in)certezas como na dúvida: o que o tempo faz com a gente? O que dizer daquele telefonema que a gente espera e ele nunca chega? E o dia daquela viagem que tanto planejamos? E uma festa que passamos meses programando para o tal "grande dia"? E a chegada de um amigo que não vemos há anos? Por um outro caminho podemos nos perguntar outras coisas... Por que a viagem acabou tão rápido? E a festa que foi tão curta? Ah, o final de semana foi pouco para amenizar a saudade do amigo que mora tão longe... O tempo está ai à medida que o relógio do dia corre. O tempo está dentro de nós e esse é o mais angustiante deles, pois somos nós quem delimitamos o que fazer, o que escolher e para onde ir. Já perceberam que quanto mais tempo livre nós temos menos coisas nós fazemos? Vem junto a isso a sensação de que existe um dia pela frente, uma vida pela frente. Quantos de vocês já se pegaram adiando coisas para um futuro? Sim, há sempre a espera, há sempre o sentimento de que podemos deixar para amanhã. Deixamos para amanhã também a percepção de que queremos mudar? Mudança é futuro ou presente? Como na linda música "eu tenho o tempo do mundo eu tenho o mundo a fora". E assim a inversão da questão: o que a gente faz com o tempo?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O lápis e a borracha

‎"Viver é desenhar sem borracha." A partir dessa frase de Millôr Fernandes a gente pode pensar em uma tela em branco, em um lápis preto, e a criatividade de cada um. A tela ali vazia e ao mesmo tempo cheia de possibilidades é o chamado ao artista para que este invente formas diferentes. A obra está ali parada querendo ser desenhada. E então começam os rabiscos e as formas e a tela se preenche de nuances e emoções. A obra vai se fazendo obra à medida que se desoculta ao artista. Não é algo mítico ou do gênero, mas sim uma entre tantas possibilidades que existe para aquele momento. Terminado o desenho preto e branco pode-se perguntar se há ou não a chance de se usar as cores. Quais cores se complementam àquela obra? São muitas perguntas, poucas respostas e a sensação de que se produz algo novo. Finalizada a tela a obra está ali aberta exposta a todo tipo de olhar; e só passará a ser obra na medida em que as pessoas a vejam, caso contrário ficará ali parada a espera.O que nós fazemos diante do novo? Diante do espanto? Diante de situações que nunca vivemos? Somos então, telas em branco, à espera de nossos rabiscos pessoais. Somos a cada instante convidados a nos lançar no abismo e no vazio das possibilidades. Escolher as cores e formas de nosso caminho e de nossa vida não se mostra como algo simples e fácil de acontecer. Depende de tantas coisas. Assim, o poeta Fernando Pessoa nos diz que “há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. O que nos motiva a fazer a travessia? O lápis e a borracha; a tela em branco e as escolhas de cada um. Podemos sim retornar a velhas ideias, mas com sentidos diferentes. Não apagamos o que traçamos, mas resignificamos antigas ilusões e tempos de lembranças. Olhamos para a borracha com saudade dos riscos que cometemos; olhamos para o lápis com a sensação de que podemos traçar novas linhas.