terça-feira, 15 de novembro de 2011

Psicoterapia

Quando pensamos em procurar uma psicoterapia muitas vezes sentimos vergonha desse primeiro contato; lutamos e adiamos o quanto dá essa procura profissional. Por que será que precisamos ser sempre tão auto-suficientes? Com o passar do tempo e das inúmeras reportagens sobre a Psicologia e em especial a psicoterapia, desmitifica-se a ideia ultrapassada de que consultório de psicologia é coisa de "maluco", que é "para gente louca". Por que não pensamos que será um local para cuidar de si mesmo? Aliás o que cada um de nós faz pela própria saúde? O que fazemos de nós mesmos é a eterna questão. E nem vamos aqui entrar na questão complexa do que vem a ser saúde. Mas retomando a questão da psicoterapia sabemos que muitas pessoas se acham fracassadas por procurar ajuda; sentem vergonha de contar suas vidas a uma pessoa desconhecida; pensam ser culpadas por algo de errado que aconteceu ou pela necessidade de ajuda; muitos se sentem frágeis em não saber lidar com questões sentimentais. Seja qual o motivo for, e psicoterapia nem precisa ter motivos tão intensos, pois acredito que o fato de querermos nos conhecer e aprender mais sobre nós mesmos já seria um ótimo motivo, o que importa é fazermos algo por nós mesmos. Todos nós precisamos de sentido de vida, de sonhos, expectativas e a sensação de que escolhemos os melhores caminhos, ou ao menos os caminhos possíveis.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Uma tarde de fim de verão

Não consigo imaginar uma tarde de fim de verão sem a presença do mar. A sensação de estar próximo ao mar faz da cidade um movimento particular. Pense numa cidade sem praia e em outra cidade com praia. Mesmo que não gostemos da praia em si o ritmo e o movimento que ela oferece às pessoas é diferente. Somos a partir daquilo que nos deixamos envolver. O quanto nós percebemos um pôr-do-sol ao longo de nossos tão corridos dias? O quanto na volta para casa olhamos, nem que por segundos, a praia a nossa volta e agradecemos por esse momento. Sempre nos dizem que felicidade são momentos; então é justamente a partir desses encontros que somos felizes. Podemos nos encontrar com o mar, com um pôr-do-sol, com a pessoa amada. São todos encontros possíveis. Mas o que nos faz estar ali inteiros a eles? Qual a nossa ousadia em nos deixar seduzir pelo mar e pela vida? Mesmo nos dias em que sentimos que nada deu certo, ou que temos a sensação de que nada dará certo vamos nos permir momentos como a simples observação do mar. Vamos perceber o quanto de intenso existe nesse encontro. Uma tarde de fim de verão é para todos nós. Tornemos os encontros possíveis.

domingo, 14 de agosto de 2011

Cisne Negro

Doçura, sensibilidade, pureza, calma e leveza. Selvagem, impulsivo, forte, sensual e intenso. Cisne Branco e Cisne Negro. O que cada um de nós carrega de cada personagem do espetáculo? A bailarina busca a perfeição do movimento, do corpo, a exaustão. Os exercícios repetitivos e as dores físicas e psicológicas da busca do ideal. Para se aproximar do Cisne Negro a menina frágil e de rosto triste precisou mergulhar no mais escuro mundo psicológico. Cada minuto de seu dia é dedicado à dança e àquilo que isso representa para ela. Enfrentar a sombra, aquilo que não queria reconhecer em si mesma. Encarar o obscuro e se olhar no espelho. Tão difícil esse momento de ver a si mesmo, de reconhecer seus limites. Como numa caixinha de música, a bailarina parece nem tocar os pés no chão, e o sons falam de uma menina, quase criança, assustada com o mundo adulto. Imagens comprovam a todo tempo o que sente a personagem. Mas como representar um papel tão forte, sensual, atraente como o Cisne Negro? Mergulhando na própria sexualidade. Os movimentos da dança são exteriores ao entendimento do prazer e do próprio corpo. São pessoas distintas a menina da bailaria ou seriam a mesma? O branco e o negro são tão distantes assim ou caminham lado a lado? Mais uma vez a imagem refletida no espelho. Quem é aquele que em mim eu vejo? A resposta está no meio encontrado para deixar o negro se desocultar. Apreciem Cisne Negro como obra de arte e psicológica.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Momentos

Por esses dias assisti ao filme "Apenas uma vez" que fala sobre o encontro de duas pessoas vindas de universos diferentes mas tendo a música como algo em comum. O filme é bem mais do que isso, e recomendo a todos. Mas a partir desse título é interessante pensarmos sobre situações novas que vivemos e ao mesmo tempo o quanto nos entregamos ao novo. Já falei outras vezes sobre isso, e sempre me instiga pensar o que nos faz mudar, o que nos faz sair de A para B. Fernando Pessoa nos diz: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. O que nos motiva fazer a travessia? Por outro lado como lidar com situações únicas? Com momentos que sabemos que não se repetirão? Existe a tendência de querermos repetir experiências que foram boas, mas sabemos que a sensação será outra, porque nós somos outros dia após dia. Mudamos a cada instante. Mas existe algo que nos prende à rotina dos sentimentos, existe algo que nos puxa ao conforto. Andar no escuro sem saber o que encontraremos do outro lado do rio é sempre um ato de coragem. Ao mesmo tempo somos a todo instante solicitados a escolher o que fazer. É o nosso destino.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Lembranças

Nós lembramos mais aquilo que de alguma forma nos toca e assim nos emociona. Memória e emoção estão interligadas nesse sentido. O que nos faz lembrar de uma história, de um filme, de uma música? É muito provável que a gente relacione a história, o filme e a música a algo da nossa própria vida e com isso "armazenamos" na memória. Sempre cito o filme "Uma vida iluminada" que é para mim dos mais bonitos e simbólicos. O filme, trata sobre esse assunto, mostra o que de fato devemos e precisamos lembrar e o que queremos lembrar. Quando nos pegamos contanto uma história nossa passada com detalhes, é bem possível que o tempo tenha modificado a cena original e que a gente tenha criado aquele cenário.

Quantas vezes nos pegamos querendo esquecer determinado acontecimento? E enquanto não resignificarmos o fato ocorrido não conseguimos olhá-lo de forma diferente. O que somos hoje modifica o nosso eu do passado; somos várias possibilidades que ficaram em aberto. Escolhemos uma dentre tantas possibilidades. E lembrar dessas possíveis escolhas é reafirmar o que somos hoje e o que pretendemos ser amanhã. Das lembranças passadas e do que construimos no presente é que nos abrimos ao futuro, tão incerto e vazio.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pesquisa sobre adolescência

Os adolescentes estão cada vez mais preocupados com bullying. É o que aponta levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo sobre as dúvidas dos jovens, recebidas por meio de ligações para o Disque-Adolescente, serviço telefônico de orientação da pasta.

Entre janeiro de 2008 e dezembro de 2010, o serviço recebeu 1,7 mil telefonemas, de jovens de 10 a 20 anos de idade.

Das dúvidas classificadas como psicológicas, 20% eram sobre dificuldades de relacionamento na escola.

Além do bullying, as dúvidas sobre anticoncepção também são frequentes, respondendo por 33,2% do total de ligações, sendo que a maioria das chamadas foi para buscar esclarecimentos sobre o uso de anticoncepcional oral e preservativos masculinos. Além disso, foram concedidas também orientações sobre temas como sexualidade (19,2%), dúvidas ginecológicas, obstétricas (21,2%) e urológicas (5,3%), dentre outras.

"Esses dados são referentes aos assuntos que motivaram a ligação dos adolescentes. Porém, no decorrer das conversas com nossos profissionais, o tema bullying apareceu por muitas vezes como dúvida secundária, o que é uma clara demonstração de que este é um problema sério, que incomodam muito os jovens", explica Albertina Duarte, coordenadora do Programa Saúde do Adolescente da Secretaria.

O Disque Adolescente é uma iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde e da Casa do Adolescente de Pinheiros. Uma equipe formada por médicos, psicólogos e assistentes sociais atende jovens que ligam em busca de algum tipo de orientação, por meio do telefone (11) 3819-2022. O horário de funcionamento é de segunda à sexta-feira, das 11h às 14h.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ser ou não ser?

Recebi um comentário anônimo em uma das minhas postagens com perguntas bem interessantes. Somos influência do meio em que vivemos ou influenciamos o meio? Como o homem deve se portar sendo autor de sua própria história? Resumir nesse espaço resposta a tais perguntas é tarefa impossível. Mas isso me fez pensar em algumas coisas.

O homem como um ser-no-mundo aberto às possibilidades ele ao mesmo tempo influencia e é influenciado pelo ambiente em que está. Se somos-com-os-outros então reagimos de acordo com o que nos chega do meio. E onde fica nosso direito de escolha? Mas é da possibilidade e impossibilidade que nasce a escolha. Somos livres para atuar de acordo com nosso desejo, com os limites já comentados aqui nesse blog, mas podemos escolher se saimos de A e vamos em direção a B. Podemos escolher qual a hora de fazer essa ponte e se queremos fazer a ligação e mudança. Cada um tem um tempo de maturação, de envolvimento e de necessidade em mudar. Somos enquanto indivíduo e desta forma a subjetividade nos move. Qual o sentido da nossa mudança? Para onde queremos ir? Por que largar A e ir em direção a B?

Somos os protagonistas, autores e atores da própria história. Queremos sempre ser ouvidos em nossas particularidades, sem generalizações; pois somos únicos. Temos esse direito. Mas em muitas vezes precisamos expor nossas dúvidas, nossos medos e assim sair do conforto. Cada um sabe o seu tempo, o seu momento de olhar a si mesmo e se perguntar: o que eu quero de mim; e o que eu espero de mim?

Sonhos (eleita pela enquete)

O que é o sonho? É esperar por alguma coisa que queremos muito? É refletir sobre vontades e desejos e imaginar como isso seria? É pensar em nós mesmos de outra forma, realizando coisas diferentes do que fazemos hoje em dia? Podemos dizer que sonhar é tudo isso, é de alguma forma "iludir" a mente e por instantes vivermos no mundo da fantasia e do ideal. Quando sonhamos a noite muitas vezes eles refletem o nosso dia anterior, ou nossas preocupações. Mas há o limite entre a fantasia e a realidade. Não podemos nos deixar levar pelo mundo das possibilidades sem rumo, entregues ao desejo pois dessa forma nos perdemos de nós mesmos.

Por outro lado o homem é a partir daquilo que ele busca, e assim, é inerente ao homem o sonhar. Com isso, o homem não vive seu caminho existencial sem o sonho, sem esse sentido de se conseguir certas coisas. Vivemos em busca de ideais, planos, conquistas. Somos esse ser-no-mundo e ser-com-os-outros e por isso necessitamos de sentido de vida.

Vivemos a morte do sonho; sendo este realizado ou não. A partir disso buscamos um novo sonho. É o eterno recomeço. Lidamos com isso o tempo todo; com o possível e o não possível; com o real e o ideal, com a escolha entre A e B. E desta forma, caminhamos sempre em busca de novos planos.

Muitas vezes as pessoas precisam reencontrar o sentido de vida; e assim poder seguir seu caminho.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Desejo (tema escolhido pela enquete)

O que fazer quando sentimos vontade de realizar alguma coisa? Essa pergunta parece tão simples, com uma resposta do tipo: “vá em frente, faça aquilo de que se tem vontade.” É tão simples se entregar às vontades? O que nós realmente podemos realizar no caminhar existencial? Quando falamos de vontade nos referimos ao desejo. Aqui no sentido de “uma atitude mental do sujeito em relação ao mundo.” E assim, a filosofia de modo bem geral entende o desejo como “a tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação.”

Mas ao falar sobre desejo falamos sobre limite. Qual o momento em que precisamos parar e nos perguntar até onde podemos seguir? Se entregar ao desejo sem pensar não é uma forma de escolha é quase como a “não-escolha”. E sendo assim, falando de limite falamos de liberdade. Kant nos diz que “ser livre é ser autônomo” e Sartre “que liberdade é condição ontológica do homem; pois o homem é, antes de tudo, livre.”

Desejo, limite, liberdade. O homem é o ator de sua própria história, com capacidade para sonhar e escolher. Mas muitas vezes escolher não se lançar ao desejo não significa não ser livre.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

As melhores coisas do mundo

Quando pensamos sobre a adolescência lembramos de velhos clichês do tipo: “transição da infância para o mundo adulto”, “fase das mudanças do corpo”, “período de revolta, de não pertencimento” e vários outros. Ao assistirmos “As melhores coisas do mundo” nos vemos diante da adolescência real já que o filme aborda com sensibilidade e veracidade temas como: adaptação, formação de grupos, bullying virtual, depressão, sexualidade, preconceito e família.

Observar esses aspectos é a forma de entender e acolher o jovem que vive intensamente essa mudança. O filme mostra o aspecto principal que é o de criar um mundo particular e não aceitar o que venha de fora ou o que pareça imposto e sem explicação. Com isso, o adolescente busca conhecer seu limite o tempo todo em nome de algo que às vezes ele mesmo nem sabe o que é.

O filme pode ser a ponte entre pais e filhos; ou vice-versa. Quando o diálogo desaparece ou muitas vezes não conseguimos conversar com alguém por motivos diversos, podemos juntos assistir a um filme cuja temática desejamos abordar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Afetividade

“A vida afetiva é a dimensão psíquica que dá cor, brilho e calor a todas as vivências humanas. Sem afetividade, a vida mental torna-se vazia, sem sabor. Afetividade é um termo genérico, que compreende várias modalidades de vivências afetivas, como o humor, as emoções e os sentimentos.” (Dalgalarrondo, 2008)

“Defini-se afeto como a qualidade e o tônus emocional que acompanha uma ideia a representação mental. Os afetos acoplam-se a idéias, anexando a elas um colorido afetivo. Seriam, assim, o comportamento emocional de uma ideia.” (Dalgalarrondo, 2008)

“A vida afetiva ocorre sempre em um contexto de relações do Eu com o mundo e com as pessoas, variando de um momento para o outro à medida que os eventos e as circunstâncias da vida se sucedem.” (Dalgalarrondo, 2008)

O sim e o não

Boa reflexão é pensar sobre o que se torna mais essencial na educação da criança: valores ou limites. O limite vem do exemplo / modelo que a criança vê em casa. E, a princípio, a criança faz tudo por imitação. O pai que faz pequenos delitos éticos na frente dos filhos, ou em momentos levando vantagens, ou humilhando pessoas de classe social inferior, enfim... Isso tudo é o reflexo da criação dos futuros jovens. Acho que cada vez mais a família deixa de dizer "não" ao seu filho com medo de magoá-lo ou até como recompensa pela culpa de trabalharem muito e terem pouco tempo livre para os filhos. É uma teia complexa. E quando se diz "não" a pessoa tem que parar e explicar o porquê do não. Nesse tempo em que parar é um absurdo educar pelo "sim" passa a ser a estratégia imediata de se ver livre do problema.

Valores são importantes, mas não vejo dissociado do limite. É tudo parte da mesma relação. A cultura, a forma ética como os pais vivem e se apresentam socialmente indica o quanto e a forma de limite que eles passarão aos seus filhos. A criança precisa vivenciar o fato de que não poderá tudo, de que há coisas que não são possíveis. É parte da vida saber abrir mão de sonhos e se lançar a novos sonhos.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Teoria do Apego

John Bowlby, psiquiatra que investigou e elaborou a teoria para explicar como se dá a relação entre o bebê e seu provedor de segurança e conforto (a mãe para a maioria dos casos). E a partir disso quais as implicações na vida adulta.

Como explicar o fato de algumas crianças crescerem autoconfiantes e outras crescerem inseguras?

Bowlby a partir de seus estudos descarta a ideia do impulso primário e afirma que a relação entre o bebê e sua mãe não se desenvolve pela alimentação; mas sim, pelo sentimento de segurança.

Os comportamentos de apego se referem a um conjunto de condutas inatas exibidas pelo bebê, que promove a manutenção ou o estabelecimento da proximidade com sua principal figura provedora de cuidados, a mãe, na maioria das vezes. O repertório comportamental do comportamento de apego inclui chorar, fazer contato visual, agarrar-se, aconchegar-se e sorrir. (Bowlby, 1990)

Assim, comportamento de apego é definido como: Qualquer forma de comportamento que resulta em uma pessoa alcançar e manter proximidade com algum outro indivíduo, considerado mais apto para lidar com o mundo (Bowlby, 1989, p.38).

Nesse sentido, o tipo de experiência que uma pessoa vivencia, especialmente durante a infância, tem uma grande influência sobre o fato de ela esperar, ou não, encontrar mais tarde uma base pessoal segura, e também sobre o grau de competência que possui para iniciar e manter relações mutuamente gratificantes, quando a oportunidade se oferecer. Em virtude dessas interações, seja qual for o primeiro padrão a se estabelecer (seguro, inseguro-ansioso, inseguro-ambivalente), é esse que tende a persistir. (Chalhub; Rodrigues, 2009)