sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Humanização na saúde

Segundo Campos, 2005 a “humanização é a mudança das estruturas, da forma de trabalhar e das pessoas.”

Humanização não é a técnica em si mesma, mas o conceito no sentido amplo da palavra. É o modo de ver o homem, e toda uma filosofia de transformação que passa, necessariamente, pela relação interpessoal.

O olhar do profissional, enquanto equipe técnica, para o usuário do serviço de saúde; o modo como o trabalho é feito e o ambiente físico propriamente dito formam o pilar da humanização.

O hospital como exemplo de estrutura / ambiente; a disposição do quarto, o conforto, como ele é projetado, a cor utilizada na pintura; isso tudo faz parte do conjunto de mudanças do ambiente para maior adaptação do paciente.

A relação da equipe técnica com o paciente, a forma de atuação, a comunicação e o modo como teoria e técnica se unem completam a forma de se pensar a humanização.

A comunicação na área da saúde é fundamental para a diminuição da ansiedade e das fantasias sobre esse universo desconhecido.

Cada um de nós enquanto cidadão pode fazer a sua parte no modo de olhar e ver o outro; sendo assim, a relação enquanto profissional de saúde se estabelecerá naturalmente.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O segredo dos seus olhos (El Secreto de sus Ojos)

É sempre um prazer assistir ao cinema argentino. Eles conseguem nos mostrar temas universais e com a sensibilidade que muito falta aos roteiros do grande circuito. Outra parceria do diretor Juan José Campanella (O filho da noiva) e o ator Ricardo Darín esse é mais um exemplo de qualidade e beleza. É o filme mais visto na Argentina desde os anos 80. Ele nos fala sobre paixão.

O que esconde o olhar? Sobre o que nossos olhos falam? O título do filme é amplamente justificado, pois sempre nos vemos presos aos olhares dos personagens. Com paixão, tensão, tristeza, dor, amor, saudade. O olhar que reflete o sentimento que em cada momento de nossas vidas desperta de uma forma diferente.

O filme mostra como somos reféns de nossas lembranças. E que passado e presente estão em aberto; assim, ficamos marcados pelo que nos aconteceu. A partir de nossas paixões, e por elas e com elas, nos movemos e sofremos; e desta forma nos sentimos "obrigados" a viver em função de nossas paixões. Muitas vezes sem escolhas aparentes.

A beleza do filme, além do roteiro e direção impecável, vem também da direção de arte, fotografia, maquiagem, edição e um elenco afiado que consegue brilhar em cada momento. Rimos e choramos com a realidade. Romance, fino humor, suspense... Tudo junto em uma obra-prima. Um dos melhores filmes que eu já vi.

domingo, 7 de novembro de 2010

Ansiedade, angústia e medo

“A ansiedade é definida como estado de humor desconfortável, apreensão negativa em relação ao futuro, inquietação interna desagradável. Inclui manifestações somáticas e fisiológicas e também psíquicas.” (Dalgalarondo, 2008)

“Angústia relaciona-se diretamente à sensação de aperto no peito e na garganta, de compressão e sufocamento. Tem conotação mais corporal e mais relacionada ao passado.” (Dalgalarondo, 2008)

“Fala-se em medo quando se percebe um perigo específico, e em ansiedade quando o perigo tem um caráter menos definido.” (Cabrera; Junior, 2006)

A diferença da ansiedade para o medo é que o medo é sempre sobre alguma coisa real. Por exemplo, uma pessoa que tem medo de elevador. O elevador é um objeto real. Uma pessoa pode ter medo de elevador, mas ao chegar a um prédio não se recusa a enfrentar o medo, sente-se desconfortável, mas encara. Outra pessoa não consegue e prefere subir de escadas ou nem ir a andares altos. A intensidade do medo, o fato de não ter razão objetiva e realidade concreta e acompanhada de sintomas físicos é que definirá se é ou não medo patológico.

Ansiedade

“A ansiedade pode ser um sentimento normal diante de situações novas e desconhecidas, bem como, em certas condições, um sintoma de um processo patológico mental ou orgânico; pode, ainda, construir a própria doença – como é o caso dos transtornos de ansiedade.” (Cabrera; Junior, 2006)

“Ansiedade é um estado de humor desconfortável, uma apreensão negativa em relação ao futuro, uma inquietação interna desagradável.” (Dalgalarondo, 2000)

Em nossos ancestrais o mecanismo da ansiedade era utilizado para sobrevivência da espécie. Como estado de alerta e prontidão para a luta pela vida. O que vemos hoje é a sobrevivência no sentido da competição no trabalho, no casamento, na família, na escola. Ou seja, continuamos em estado de alarme. E a ansiedade aparece como sentimento de apreensão.

O homem passa a vida inteira adaptando-se às novas situações. A possibilidade da mudança causa desconforto em variados graus de sofrimento; essa percepção do novo é individual, o que transforma a ansiedade em diferentes intensidades. Como lidamos com situações novas? Como lidamos com a possibilidade do futuro? Como pensamos sobre o amanhã? São algumas das perguntas a serem respondidas por cada um de nós.