segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Loucura

Deixo com vocês três citações de diferentes autores sobre a loucura. É para pensarem a respeito e também o que cada um de vocês pensa sobre essa palavra "loucura".


A loucura passou por diferentes concepções ao longo de sua história. Influenciada pelo contexto histórico-social, ela vem sendo escrita alternando momentos de destaque e momentos de exclusão. Com isso, pode-se dizer que cada cultura realizará a imagem (no sentido de cena, quadro) do perfil da loucura. Segundo Foucault: cada cultura formará da doença uma imagem cujo perfil é delineado pelo conjunto das virtualidades antropológicas que ela negligencia ou reprime. (Foucault, 1975, p. 72)

A loucura não é ruptura com a humanidade, mas algo cuja verdade se esconde no interior da subjetividade humana. Nesse sentido, a loucura deixa de se referir ao não-ser e passa a designar o ser do homem. E através desse redimensionamento do problema, a reflexão sobre a loucura torna-se uma reflexão sobre o homem. (Frayze-Pereira, 1985, p.88)

A experiência da loucura questiona a própria estrutura do conhecimento. Será que o mundo é constituído dessa forma, dividido entre subjetivo e objetivo, tal qual como formulamos? (...) Podem ser questionáveis nossas certezas a respeito da garantia de um conhecimento objetivo da realidade toda, de um conhecimento que diga: isto existe e aquilo não existe. (Pompéia, 2004, p. 192)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Liberdade

O destino do homem é ser livre e ter o poder de escolha. Mas como conviver com a constante batalha do optar qual caminho seguir? É possível dar conta de viver no eterno vazio sem as “falsas certezas’?

O ser-no-mundo seria habitar a inospitalidade e também viver a experiência de desamparo e desabrigo. O des-envolver nos desabriga, mas é nossa condição de liberdade. O homem não é, ele é um poder-de-ser. Nascemos nomeados, mas somos em aberto, em constante construção.

O homem nunca chega a se acabar profundamente. Ele é incompleto. Ao homem não foi dado o permanecer, é uma busca constante. Somos condenados ao desenvolvimento (des-envolver), sair do envolvimento que estava para pegar o que se vem; ‘livrando-se de’, para estar ‘livre para’. E isso é uma destinação – com destino a.

A sensação da liberdade é boa; é o estar ‘livre para’. O caminho para atravessarmos até chegar à ‘liberdade para’ passa pela angústia; pelo nada. O estar livre é também estar solto, sozinho. E para isso vive-se no vazio. Muitas pessoas não suportam o vazio existencial; por isso optam por não se livrarem.

Slumdog Millionaire (Quem quer ser um milionário?)

Vencedor da enquete.

Sabe quando acabamos de ver um filme e não conseguimos juntar uma ideia de tão forte que ele é. A direção tensa e perfeita te prende atenção o tempo todo. Os atores indianos são muito bons. E o título - "slumdog" é uma ótima sacada!

O filme narra a história de um jovem indiano em um programa de perguntas e respostas. À medida que as perguntas são feitas ele se remete às experiências vividas para lembrar das respostas, ele sempre viveu algo que se relaciona com o que foi perguntado (sim, achei um pouco demais isso, mas no todo é uma licença poética para algo muito maior do que isso). E quando o filme acaba reparem no que acontece, é muito legal!

Enfim, vemos uma realidade miserável da Índia e o quanto as pessoas se entregam por dinheiro. Na miséria todos se nivelam e a luta pela sobrevivência é cruel. Se pensarmos no todo, o filme também fala sobre o quanto é importante termos um sentido na vida. Quantos conseguem se manter íntegros? E qual a capacidade de continuar vivendo em busca de um sonho? E o quanto vocês conseguem observar do mundo? Qual o nível de atenção sobre o que está a seu lado? O filme é intenso. Preparem-se para um olhar sobre o que há de mais humano.

E vocês sabem o nome dos Três Mosqueteiros?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ansiedade e Estresse


Embora a ansiedade favoreça a performance e a adaptação, ela o faz somente até certo ponto, até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência. À partir de um ponto excedente a ansiedade, ao invés de contribuir para a adaptação, concorrerá exatamente para o contrário, ou seja, para a falência da capacidade adaptativa.
A relação entre o nível de estresse e a performance; quando o estresse aumenta (linha horizontal) melhora a adaptação, até um ponto ótimo, daí em diante a performance começa a decrescer (vertical) até o a desadaptação e, finalmente, o esgotamento.

(fonte http://www.psiqweb.med.br)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Réquiem para um sonho

Um filme é a transformação do pensamento em palavra escrita, e esta, em imagem. Assim, podemos nos deter ao título do filme – Réquiem para um sonho como início de nossa interpretação.

Réquiem é uma palavra que, segundo o dicionário Houaiss, pode significar na liturgia: “prece que a Igreja faz para os mortos” e na música “composição sobre o texto litúrgico da missa dos mortos cujo intróito começa com as palavras latinas requiem aeternam ('repouso eterno')”.

O filme estabelece a relação direta entre vida e morte. Os personagens, cada um com seu vício, mostram-nos uma realidade cruel sobre até que ponto pode chegar a degradação humana.

Retomando o sentido de réquiem, podemos pensar em prece para os mortos; prece para aqueles personagens que vivem à margem da sociedade; prece para aqueles que como os personagens vivem suas vidas, exilados em si mesmos; e por fim, prece para todos que se arrastam até um final óbvio e de tão cruel muitas vezes nos vemos pensando e imaginando que eles possam morrer antes da deterioração total.

Se pensarmos que réquiem contém, na música, passagens bíblicas para a entrada de mortos no céu, defrontamo-nos com uma antítese. Céu simbolizando o paraíso (na concepção da Igreja) versus os personagens que vivem seus vícios e muito possivelmente não é visto como pessoas que caminham para o céu (“repouso eterno”).

O filme gira na antítese vida e morte. E desta forma, conta as diversas histórias sem maquiagem, sem suavizar. Somos colocados em estado de choque ao assistirmos o caminho que cada um traça em direção à degradação. É preciso colocar os nossos pré-conceitos em suspensão para então nos aproximarmos das histórias contadas.

O filme, através de imagens cruas, é uma grande missa dos mortos. E as palavras antitéticas vida e morte saem do roteiro e ganham a poltrona do cinema; estando ao nosso lado.