sábado, 21 de agosto de 2010

Último poema

“Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”

(Manuel Bandeira)

Manuel Bandeira quando jovem teve pneumonia e com isso passou a vida inteira com a ideia de que morreria em breve; mas viveu até seus 80 anos e com isso muitos de seus poemas carregam a melancolia e a sensação de sempre estar à espera do pior.

Frases curtas, pensamento objetivo, liberdade no uso das palavras, simplicidade na escrita, ironia e a crítica são características do modernismo.

Ao mesmo tempo em que o poema nos mostra a realidade ele nos mostra o improvável – “flores sem perfume”, “soluço sem lágrimas”. E falando sobre o improvável ele fala sobre ilusão.

Seguindo o título do poema, Manuel Bandeira nos indica como gostaria de ser lembrado e assim; resume no último verso todo seu pensamento. Mas também ao citar a paixão dos suicidas ele nos conta sobre a falta de sentido, sobre o paradoxo que é nosso caminho pela vida. Sobre ilusão e desilusão. Somos convidados a pensar no que não tem explicação, no que a falta de sentido e significado causam.

3 comentários:

  1. Seu comentário sobre o poema é simplesmente magnifico e muito interessante, soube capitar cada detalhe. Parabéns

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  2. By: MárciaLacellote

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  3. site de bosta ajeita o fundo jumento

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