sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O eu e o outro

Falar sobre desfecho é ao mesmo tempo falar sobre a relação entre ilusão e desilusão. A ilusão é expectativa de ser, e dessa forma transita pelo mundo da fantasia e do desejo. Ao mesmo tempo nos mostra a realidade enquanto significado do momento em que se vive. A ilusão caminha para a des-ilusão enquanto forma de não aceitação do real.
E aqui podemos pensar nos desfechos. Sejam eles de emprego, mudança de cidade, transição do status de estudante para o de profissional, rompimento do relacionamento, enfim, tudo que cumpre o seu ciclo e precisa se resignificar. Frases como: “tudo passa”, “isso não é nada” faz com que a pessoa sinta que tudo o que viveu foi ilusão, quando na verdade ela precisa ser ouvida na sua individualidade sem análises prontas.
Dessa forma podemos pensar que o início de um novo ciclo e assim de um novo sonho é um “começar de novo” (que tem caráter de novidade) e não um “começar outra vez” (que é repetição). Reflitam sobre o pensamento do João Augusto Pompéia.

“Como experiência humana, desfecho é sempre fecho e des-fecho, encerra e propõe, tira alguma coisa e põe outra no lugar. Essa nova coisa pode ser um jeito novo de ser. Perceber esse movimento que faz com que todas as coisas passem, mas não desapareçam, possibilita que, ao reuni-las, possamos compor algo com sentido a que chamamos de nossa história.”

3 comentários:

  1. Esses aspectos existenciais de movimento como desfecho, fecho, des-fecho nos convidam a perceber nossa condição de ser no mundo em intensa relação com o que se apresenta, a qual antes era uma das possibilidades de ser que se anunciava. Esses fenômenos podem nos despertar ansiedade e medo do não conhecido porém imaginado.Mas isso é inerente a condição humana do sofrer pelo ainda não presente de fato, e o saber jogar com essa responsabilidade, trás a vivência do amadurecimento que emerge a força para suportarmos passar ou ultrapassar o conforto do suposto seguro para o des-conforto do novo que está para chegar. Esse sentimento de angústia é caracteristico do ser humano livre e aberto para novas possibilidades de ser e se adaptar às condições existenciais.

    Javert Falleiros Júnior. psicoterapeuta existencial

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  2. parabéns pelo blog, um post mais interessante do que o outro .... bjo!

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