domingo, 29 de agosto de 2010

Ciência x Religião

O tema vencedor da enquete é ciência versus religião. Podemos conversar sobre esse assunto por horas. Resumi através do pensamento de Ian Barbour a relação de aproximação e oposição apresentadas abaixo. É para vocês pensarem e despertar a curiosidade em saber mais sobre o tema.
A sociedade e a mídia de forma geral insistem na propagação da idéia de que ciência e religião são conflituosas e disputam o mesmo espaço. Sabemos que nem sempre foi assim. Até o período do Iluminismo, ambas caminhavam juntas e por vezes misturadas. Basta lembrar de Galileu quando relacionou o estudo natural dos corpos celestes com a doutrina bíblica.
O físico e teólogo Ian Barbour relaciona quatro maneiras de se relacionar religião e ciência:
conflito; independência; diálogo e a integração.
Barbour relata o
conflito óbvio entre a criação do universo. A independência é difícil de manter, mas ao mesmo tempo não é olhar para ciência ou religião de forma hostil. O diálogo pode ser exemplificado com teoria científica do Big Bang que não aceita a teoria bíblica da criação do universo. A maior integração ocorre quando: tanto a ciência como a religião contribuem para uma visão de mundo coerente, desenvolvida numa metafísica abrangente.
A Psicologia, por exemplo, aproxima-se tanto da ciência (áreas biológicas e naturais – neurociências, cognitiva) como da religião (áreas humanas – psicanálise e outras teorias).

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Into the Wild (Na natureza selvagem)

Esse é para mim um dos filmes mais intensos que já assisti. Com ótimas atuações, trilha sonora na medida e direção do Sean Penn. Baseado em fatos reais narra a história de um jovem (interpretado por Emile Hirsch) em busca de sentido de vida. Por mais que em alguns momentos você chore, há o paradoxo da alegria em viver. A emoção é fruto da realidade. Nós choramos porque lembramos dos nossos medos e frustrações.

O jovem do filme caminha em busca de sua identidade, como se perguntasse a si mesmo: “Quem sou eu?”, “O que eu quero e o que eu posso ser?”. E mais além, “Existe espaço para mim?”.

Como é difícil para o homem apropriar de si mesmo. A tarefa de se escolher qual o caminho a seguir é a dura realidade humana. Mas escolher é inerente ao homem, sendo assim, está num eterno processo de procura.

O homem como ser-no-mundo é a partir de sua individualidade. Estamos no eterno processo de nos lançarmos ao vazio da dúvida, ao vazio do amanhã. O jovem do filme flerta com a solidão com espantosa segurança.

Em meio ao andar no mundo nós somos seres-com-os-outros; e que para esse convívio cedemos como filhos, pais, maridos, enfim, há uma constante troca em nome do equilíbrio.

O homem busca a felicidade como algo mítico, quando ela é parte do mais simples da vida. Talvez nos pequenos momentos nos tornarmos mais felizes.

Nosso caminho é a eterna busca de sentido, e de que a epifania fundamental é que a felicidade só é real quando compartilhada.

Bullying (parte 2)

O Bullying acontece em todas as classes sociais e é mais comum no ambiente escolar. A intimidação do outro é mais agressiva na adolescência, mas é muito comum na infância também. Os meninos tendem a ser mais violentos e as meninas agem mais na intriga e dissimulação.
Já falamos que muitas famílias delegam à escola a educação de seus filhos. E com isso, é comum que a família do agressor menospreze a reclamação da vítima. Pois, agem como se o filho agressor fosse forte, líder, carismático, popular; enquanto o outro é fraco, tímido. Dificilmente a família procura ajuda ao filho agressor, pois não os vêem como problema.
A sociedade privilegia o “vilão”. Basta acompanhar a repercussão dos personagens “vilões” em novelas, são sempre os mais populares nas ruas e muitos atores inclusive, aumentam suas participações em comerciais se fizerem “vilões” populares.
Funcionários das escolas como inspetores, cantineiros além dos professores são quem, em muitos casos, notam as intimidações feitas por um indivíduo ou grupo a um aluno.
Algumas cidades como Porto Alegre e Curitiba incluem o Bullying como agressão. A responsabilidade é de todos. Bullying só diminuirá quando deixar de ser tabu e for encarado como algo real.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pais, filhos e a sociedade

A construção do desenvolvimento infantil até a juventude passa pelo modelo familiar. No entanto, é cada vez mais comum, os pais delegarem às escolas a educação dos filhos.

Sabemos que a escola entre outras funções, é o ambiente de socialização e desenvolvimento do pensamento crítico. Ajudando a convivência com mundos diferentes.

Algumas crianças desde cedo realizam “brincadeiras” de fazer “experiências” em insetos, pequenos maus tratos de animais, destroem seus brinquedos e a família justifica tais atos como demonstração de interesse pelo mundo, ciência, agitação; quando na verdade, são sinais de perversidade.

Quando se dá então o limite? Dizer “não” ao filho é o que de mais verdadeiro os pais podem fazer. Explicar o porquê de não se poder realizar certas coisas é a construção da ética e moral do futuro jovem.

Ceder ao filho é sempre a opção mais rápida, ainda mais na configuração familiar atual. Não podemos esquecer que os pais ao educarem seus filhos formam cidadãos, com senso de justiça e responsabilidade social.

sábado, 21 de agosto de 2010

Último poema

“Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”

(Manuel Bandeira)

Manuel Bandeira quando jovem teve pneumonia e com isso passou a vida inteira com a ideia de que morreria em breve; mas viveu até seus 80 anos e com isso muitos de seus poemas carregam a melancolia e a sensação de sempre estar à espera do pior.

Frases curtas, pensamento objetivo, liberdade no uso das palavras, simplicidade na escrita, ironia e a crítica são características do modernismo.

Ao mesmo tempo em que o poema nos mostra a realidade ele nos mostra o improvável – “flores sem perfume”, “soluço sem lágrimas”. E falando sobre o improvável ele fala sobre ilusão.

Seguindo o título do poema, Manuel Bandeira nos indica como gostaria de ser lembrado e assim; resume no último verso todo seu pensamento. Mas também ao citar a paixão dos suicidas ele nos conta sobre a falta de sentido, sobre o paradoxo que é nosso caminho pela vida. Sobre ilusão e desilusão. Somos convidados a pensar no que não tem explicação, no que a falta de sentido e significado causam.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O eu e o outro

Falar sobre desfecho é ao mesmo tempo falar sobre a relação entre ilusão e desilusão. A ilusão é expectativa de ser, e dessa forma transita pelo mundo da fantasia e do desejo. Ao mesmo tempo nos mostra a realidade enquanto significado do momento em que se vive. A ilusão caminha para a des-ilusão enquanto forma de não aceitação do real.
E aqui podemos pensar nos desfechos. Sejam eles de emprego, mudança de cidade, transição do status de estudante para o de profissional, rompimento do relacionamento, enfim, tudo que cumpre o seu ciclo e precisa se resignificar. Frases como: “tudo passa”, “isso não é nada” faz com que a pessoa sinta que tudo o que viveu foi ilusão, quando na verdade ela precisa ser ouvida na sua individualidade sem análises prontas.
Dessa forma podemos pensar que o início de um novo ciclo e assim de um novo sonho é um “começar de novo” (que tem caráter de novidade) e não um “começar outra vez” (que é repetição). Reflitam sobre o pensamento do João Augusto Pompéia.

“Como experiência humana, desfecho é sempre fecho e des-fecho, encerra e propõe, tira alguma coisa e põe outra no lugar. Essa nova coisa pode ser um jeito novo de ser. Perceber esse movimento que faz com que todas as coisas passem, mas não desapareçam, possibilita que, ao reuni-las, possamos compor algo com sentido a que chamamos de nossa história.”

domingo, 15 de agosto de 2010

Bullying

“Bullying é um termo inglês para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully - valentão) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.”

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying)

Pesquisas apontam que o agressor tem personalidade autoritária com necessidade de controle e poder. Há conteúdo de perversidade no ato e prazer no domínio do outro.
Apelidos pejorativos, boatos, maledicências, intimidações físicas e verbais, domínio do espaço; enfim, são sempre ações intencionais para humilhar e intimidar suas vítimas.
Por que as crianças e adolescentes não contam aos pais: Basicamente porque 1) os agressores os ameaçam e também a suas famílias; 2) por acharem que as próprias famílias os verão como fracos e covardes e que não serão aceitos também no ambiente familiar.
Como identificar: A criança e o adolescente se sentirem mal pouco tempo antes de irem ao locar onde sofrem bullying; apatia, tristeza, falta de vontade de fazer as coisas.
Consequências: baixo rendimento escolar, perda de vontade de realizar as atividades, depressão, ansiedade, estresse e suicídio.
Bullying existe em todas as classes sociais, em todas as escolas. Não existe a frase “aqui não se tem bullying”. Encarar o fato é o primeiro passo.

Os jovens e o álcool em São Paulo

Pesquisa de 2010 da Unifesp em escolas privadas de São Paulo aponta que:

- 40% dos estudantes haviam bebido no mês anterior à pesquisa;

- 46% dizem que o primeiro consumo de álcool ocorreu em casa;

- O álcool é também a droga que começa a ser consumida mais cedo, com média de idade de 12,5 anos;

- No ensino médio, 33% dos alunos consumiram álcool no padrão conhecido como binge drinking;

- Outros fatores de risco para o comportamento binge, segundo a pesquisa, foram o sexo (o risco aumenta em 70% entre os meninos), idade (50% para cada ano a mais), pais separados (30% mais risco), não confiar em Deus (40%) e não conversar com os pais (60%);

- A condição socioeconômica também influencia: o risco é duas vezes maior entre os alunos das escolas com mensalidade acima de R$ 1,2 mil;

Nota:

  1. O comportamento binge se caracteriza pelo consumo, na mesma ocasião, de cinco ou mais doses de 14 gramas de etanol – valor correspondente a cinco latas de cerveja (ou copos de vinho ou doses de bebida destilada);
  2. “O estudo revelou padrões de consumo que merecem atenção entre os estudantes da rede particular, em especial em relação ao álcool. Um terço dos alunos do ensino médio relatou prática de binge drinking no mês anterior ao estudo, o que é uma porcentagem extremamente elevada. Esse comportamento traz alto risco, pois o adolescente embriagado fica em situação de vulnerabilidade em vários aspectos da vida, favorecendo brigas, acidentes de trânsito e sexo desprotegido, por exemplo”, disse Ana Regina à Agência FAPESP.
  3. Lembrar que o álcool se liga ao receptor Gaba no cérebro causando um efeito sedativo. Após esse relaxamento passa a euforia e depois depressão.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

As Horas

Hoje escrevo sobre o filme “As Horas” do diretor Stephen Daldry baseado no livro homônimo de Michael Cunningham. Com elenco formado por: Meryl Streep, Julianne Moore, Nicole Kidman e Ed Harris.
Em três épocas distintas as personagens enfrentam dilemas e situações entrelaçados pelo livro Mrs. Dalloway de Virginia Woolf.
Destaque para a primorosa edição, que enquanto Viriginia Woolf escreve seu romance as outras mulheres, em diferentes épocas, são influenciadas pelo texto da escritora inglesa e as cenas apresentam continuidade perfeita.
A relatividade do tempo e o que este provoca nas pessoas é evidenciada no título do filme – “As Horas”. O tempo é o tempo de cada um. E assim enfrentamos o tempo da espera (futuro), o tempo presente e o tempo passado. Conviver com a lentidão da espera, a falta de sentido e a busca por um mínimo significado é o que nos conta o filme.
O sentido é individual e, portanto gerado pelo homem. A fenomenologia, em linhas gerais, nos diz que o caminho existencial é um processo de procura; o andar junto construindo cada etapa como um artesão.
Cada personagem apresenta um sentido de vida mesmo que seja a ausência de sentido (notem que todos os personagens caminham pelas idéias suicidas). As escolhas são complexas e a manutenção do ambiente sem perspectiva aumenta a tensão do roteiro.
O mundo que cada um absorve é que define suas ações. Lembrando que o homem como ser-no-mundo e ser-ai-com-os-outros deve sim conviver no mundo. No fundo as personagens falam de cada um de nós. Bom filme!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Nossas conexões

O debate de hoje sobre o sistema prisional foi inspirado no excelente programa – Conexões Urbanas – exibido pelo canal Multishow. O programa apresentado pelo José Júnior fala sobre os vários guetos em que a sociedade se dividiu e apresenta meios de unificar e aproximar as pessoas em prol de algo comum. É para assistir e refletir.

Mas retomando o assunto, eu aqui não tenho tantos conhecimentos técnicos acerca do tema. Mas vale a discussão. Sempre que vejo imagens de um presídio me remonta a velha ordem da frase “quanto mais longe melhor” adotada pelos regimes conservadores. É sempre mais fácil aprisionar do que mudar a base do problema.

Mas deixando as questões políticas de fora, o que se vê é que ao menos metade dos presos que estão lá seriam reintegrados à sociedade se as prisões oferecessem condições para isso.

Nesse programa falou-se sobre a escola dentro da prisão, o recebimento de salário para os serviços prestados, os cursos técnicos e toda estrutura digna que se deve oferecer.

Desde as escolhas feitas antes da prisão (o meio influenciando no comportamento ilícito) e a sobrevivência em grupo no confinamento dependerá de como a pessoa lida com a frustração; em outras palavras, em quanto a pessoa é ou não resiliente.

O dicionário Houaiss define resiliência como “propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica”. Em sentido figurado é a “capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças”.

Não podemos romantizar o ambiente prisional. Só proponho uma distinção entre presos e bandidos e em como a sociedade pode olhar para questões difíceis e encarar a situação que afinal é de todos nós. O que vocês pensam sobre o tema?


Site: http://www.eschola.com

O Rio do Meio e nossas escolhas

Inspirado no livro de Lya Luft “O Rio do Meio” escrevo sobre homens, seus sonhos e escolhas. No livro a autora nos fala sobre amizade, amor, família e relacionamentos. Fico com a seguinte pergunta: Como atravessar o rio em busca dos nossos sonhos?
Falando sobre objetivos nós falamos sobre sonhos. O sentido nasce do sonho, mas ao mesmo tempo o sonho também morre. Ele morre quando não se realiza (não tem mais tempo para acontecer) ou quando se realiza (se torna real e então perde a propriedade). A criança aprenderá que o homem é um contador de histórias e que nós somos as realizações de nossas histórias.
É possível também pensar a respeito de nossas escolhas. Somos evocados todos os dias a escolhermos coisas simples: cor de uma roupa, prato do almoço, horário do cinema; e dessa ‘simplicidade’ adquirimos nossas falsas certezas a respeito da escolha profissional, do emprego, do relacionamento, e de alguns comportamentos.
Sempre uso a velha imagem de uma ponte que liga o ponto A ao ponto B. Se estivermos no ponto A, o que nos move a atravessar a ponte? Como enfrentar o inesperado, o medo e a incerteza para irmos ao lado B? Por que então optaríamos pelo obscuro e desconhecido B? Pense o quanto vocês atravessam as “pontes” de suas vidas.

domingo, 1 de agosto de 2010

Tecendo a manhã

“Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.”

(João Cabral de Melo Neto)

Escolhi esse trecho do poema “Tecendo a manhã” do modernista João Cabral de Melo Neto porque cabe de forma adequada na abertura do blog.
João Cabral centra-se na coisa em si, e desta forma, no concreto, no objetivo. Começa com a paráfrase do provérbio “uma andorinha só não faz verão” indicando que o cantar do galo tecendo a manhã é em princípio o cantar do próprio poeta e sendo assim de todos nós. O homem é parte do mundo. Somos como artesãos que constroem lentamente suas peças. Nosso caminho é esculpido no esforço individual da elaboração e montagem das etapas. É então a antítese entre individual e coletivo.
O poema também fala sobre o confronto entre o tempo presente e o tempo futuro. Os galos se unem e convocam a manhã (futuro); e podemos pensar então, que futuro é o que está aí; não é algo distante, e sim, o amanhã. A construção se dá no tecer os fios dos objetivos em busca da nova manhã.
O artista (criador) aqui representado pelo “galo” produz a obra “a manhã”. E a junção de todos os galos em busca da obra final – “se encorpando em tela” ganha espaço e se torna individual. Assim, o criador deixa marca na sua criação, como nossa caminhada em busca do amanhã.

Apresentação

Convido todos a participar desse blog para construírem junto comigo esse espaço. O blog é dedicado à Psicologia; não só às teorias, mas principalmente ao cotidiano. Lugar para trocar idéias, estudos e campo de atualizações. A palavra é parte da comunicação; e assim, confere significado àquilo que sentimos. Psicologia em palavras: traduzindo o conhecimento teórico em ações do dia-a-dia.
É sempre bom caminharmos acompanhados. Espero sugestão de pauta, sites, dicas, eventos e comentários. Aqui é uma forma virtual de nos comunicarmos e assim nos conhecermos um pouco mais.
Venham comigo! Mergulhem no mundo das ideias!