terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Novo ano

Agradeço a todos que estiveram comigo nesse blog esse ano. E que reflitam sobre o que fizeram de vocês e o que querem para o amanhã. O futuro está sempre ali a nosso alcance, mas sempre dizemos que ele nunca chega. O passado a gente comenta ora com saudade ora com ressentimento e nos esquecemos que nós o fizemos. E o presente, esse hoje intenso e vivido é o que realmente podemos fazer e escolher. Façamos no próximo ano coisas diferentes. A mudança está em cada um de nós! Deixo com vocês esse trecho do poema do Carlos Drummond de Andrade.

"Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Meu homem - Miriam Goldenberg

Na última coluna escrevi sobre um problema que afeta muitas brasileiras: como apresentar o homem com quem elas vivem novas formas de conjugalidade? Como defini-lo, se não há vínculos legais, co-habitação, filhos? Recebi sugestões engraçadas, criativas e inteligentes. Exemplos: marido, esposo, cônjuge, namorado, noivo, namorido, ficante, rolo, marido oficial, marido social, marido informal, parceiro, companheiro, "significant other", consorte, com-sorte, querido, amado, amante, afeto, amigo, amigo predileto, amor da minha vida, UE (união estável), gato, caso, colega de viagem, macho, dono do meu coração, vizinho de cama, amizade colorida, compromisso enrolado, compromisso sério, o cara, sei lá, tanto faz.

Uma das mais "votadas" foi: "Este é o meu amor". A Sandra escreveu: "Achei muito divertido o seu texto, porque é uma situação muito atual, talvez pela falta de necessidade de se ter um relacionamento que resulte em certa dependência. As mulheres têm ficado financeiramente independentes e isso se reflete no setor afetivo".

E essa leitora continua: "Ainda é difícil classificar de forma que todo mundo entenda esse novo tipo de relacionamento. Só sei que o meu já dura cinco anos. Me lembro como o apresentei para minha mãe: -Mãe, esse é o Jorge. Ela perguntou se era meu namorado, e eu: -Não, mãe, é o meu amor!. E ainda o apresento assim". Entretanto, a sugestão campeã absoluta foi: "Este é o meu homem".

A Angélica disse: "Mirian, eu adorei seu texto. Também tenho essa dificuldade de apresentação. Para ele, meu amor, eu digo que ele é meu homem! Eu fico entre essas duas definições: esse é meu homem, esse é meu amor. Mas, dependendo das circunstâncias, eu vou mudando: esse é meu gato, meu amado, meu namorado. Mas, lá no fundinho, eu continuo querendo uma única coisa: que ele continue sendo meu homem, meu amor, minha paixão".

Por fim, fica a proposta da Lélia, que fez uma enquete com dezenas de amigos: "Sabe Mirian, eu acho que deveríamos ter a coragem de dizer "este é o meu homem". Vamos derrubar o preconceito. Vamos enterrar a ideia de achar que falar "meu homem" é vulgar. Se homem pode dizer "esta é a minha mulher", nós também podemos dizer "este é o meu homem". Ponha em prática a ideia. Seja a precursora. Vamos pôr fim a esse tabu. Lance a campanha!". Então, queridos leitores e leitoras, vamos aceitar o desafio da Lélia?

MIRIAN GOLDENBERG, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "Intimidade"(Record). Publicação na Folha de S. Paulo no caderno Folha Equilíbrio em 14/12/2010

Suicídios Exemplares

“Será que a realização da plenitude e absurdo da vida exigem suicídio?” É, para Albert Camus, a única pergunta que deve ser respondida. E ele conclui que o suicídio não é a resposta: deve-se viver, deve-se revoltar. A revolta carrega em si a esperança, a luta é suficiente para tornar o homem pleno.

E as personagens dos contos de Vila-Matas são como o pensamento do argelino colocado em prática. Um tema que pode ser considerado forte, que pode assustar. Mas são contos extremamente delicados e sutis. E só em um dos contos a personagem efetivamente se mata. Nos outros o suicídio é uma idéia, servindo mais como uma promessa do que como algo a realmente ser realizado. Talvez nisso resida o fato de serem exemplares: a pergunta de Camus é respondida não de modo filosófico, mas prático. Alguns até tentam levar a idéia a cabo mas, por um motivo ou outro, sempre protelam sua execução.

“Rosa Schwazer volta a vida” é, creio, o melhor exemplo: a vigia de museu decepciona-se com a vida – percebe e sente o absurdo – durante todo o dia, e pensa em se matar. Ela porém não o faz, sempre encontra um motivo para protelar aquilo que, pensa ela, é inevitável. E continua vivendo, apesar de tudo, e talvez apenas pela promessa de que na próxima oportunidade vai se matar.

Vila-Matas foi feliz nesse tema infeliz. Ele consegue fazer o que se propõe no prefácio: viajar até que se esgotem as nobres opções de morte e levar o leitor a projetar a si mesmo sobre os diversos suicidas que ele ilustra. E mostra que o suicídio não necessariamente é o fim da esperança, mas talvez a sua busca.

VILA-MATAS, Enrique. Suicídios Exemplares. São Paulo: Editora Cosac Naify, 2009. 1a Edição. 208 páginas. Preço sugerido: R$45,00.

Publicação do blog Meia Palavra por Luciano R. M., é estudante de medicina, mas prefere literatura e arte. Não acredita em médicos que não leram Dostoevski.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Envolvimento Social

Não tem como deixar de escrever sobre as cenas de guerrilha urbana no Rio de Janeiro que assistimos em tempo real. Pensar que há trinta anos as pessoas daquela comunidade viviam sob regime de exceção privadas de condições básicas e descartadas pelo poder público. Como é fácil para a sociedade deixar à margem o que está fora do alcance de seus olhos. Educar é difícil, explicar o que vimos mais ainda. O que fazemos nós diante das imagens? Qual o papel de cada um de nós na desconstrução desse modelo social? Sair da teoria à prática pode ser o começo; pois sinaliza um esforço em comum em prol do objetivo coletivo de igualdade social, segurança e paz.

Educação sempre é o caminho para a igualdade de oportunidades e desenvolvimento do senso crítico. Não se restringe à escola e à família o a função de orientação aos jovens; arte e esporte devem ter papel de destaque como complementação da educação formal. O jovem deve ser protagonista de sua própria história. A construção é lenta, já que há um abismo social pré-existente, mas a criança de hoje é o país de amanhã.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Humanização na saúde

Segundo Campos, 2005 a “humanização é a mudança das estruturas, da forma de trabalhar e das pessoas.”

Humanização não é a técnica em si mesma, mas o conceito no sentido amplo da palavra. É o modo de ver o homem, e toda uma filosofia de transformação que passa, necessariamente, pela relação interpessoal.

O olhar do profissional, enquanto equipe técnica, para o usuário do serviço de saúde; o modo como o trabalho é feito e o ambiente físico propriamente dito formam o pilar da humanização.

O hospital como exemplo de estrutura / ambiente; a disposição do quarto, o conforto, como ele é projetado, a cor utilizada na pintura; isso tudo faz parte do conjunto de mudanças do ambiente para maior adaptação do paciente.

A relação da equipe técnica com o paciente, a forma de atuação, a comunicação e o modo como teoria e técnica se unem completam a forma de se pensar a humanização.

A comunicação na área da saúde é fundamental para a diminuição da ansiedade e das fantasias sobre esse universo desconhecido.

Cada um de nós enquanto cidadão pode fazer a sua parte no modo de olhar e ver o outro; sendo assim, a relação enquanto profissional de saúde se estabelecerá naturalmente.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O segredo dos seus olhos (El Secreto de sus Ojos)

É sempre um prazer assistir ao cinema argentino. Eles conseguem nos mostrar temas universais e com a sensibilidade que muito falta aos roteiros do grande circuito. Outra parceria do diretor Juan José Campanella (O filho da noiva) e o ator Ricardo Darín esse é mais um exemplo de qualidade e beleza. É o filme mais visto na Argentina desde os anos 80. Ele nos fala sobre paixão.

O que esconde o olhar? Sobre o que nossos olhos falam? O título do filme é amplamente justificado, pois sempre nos vemos presos aos olhares dos personagens. Com paixão, tensão, tristeza, dor, amor, saudade. O olhar que reflete o sentimento que em cada momento de nossas vidas desperta de uma forma diferente.

O filme mostra como somos reféns de nossas lembranças. E que passado e presente estão em aberto; assim, ficamos marcados pelo que nos aconteceu. A partir de nossas paixões, e por elas e com elas, nos movemos e sofremos; e desta forma nos sentimos "obrigados" a viver em função de nossas paixões. Muitas vezes sem escolhas aparentes.

A beleza do filme, além do roteiro e direção impecável, vem também da direção de arte, fotografia, maquiagem, edição e um elenco afiado que consegue brilhar em cada momento. Rimos e choramos com a realidade. Romance, fino humor, suspense... Tudo junto em uma obra-prima. Um dos melhores filmes que eu já vi.

domingo, 7 de novembro de 2010

Ansiedade, angústia e medo

“A ansiedade é definida como estado de humor desconfortável, apreensão negativa em relação ao futuro, inquietação interna desagradável. Inclui manifestações somáticas e fisiológicas e também psíquicas.” (Dalgalarondo, 2008)

“Angústia relaciona-se diretamente à sensação de aperto no peito e na garganta, de compressão e sufocamento. Tem conotação mais corporal e mais relacionada ao passado.” (Dalgalarondo, 2008)

“Fala-se em medo quando se percebe um perigo específico, e em ansiedade quando o perigo tem um caráter menos definido.” (Cabrera; Junior, 2006)

A diferença da ansiedade para o medo é que o medo é sempre sobre alguma coisa real. Por exemplo, uma pessoa que tem medo de elevador. O elevador é um objeto real. Uma pessoa pode ter medo de elevador, mas ao chegar a um prédio não se recusa a enfrentar o medo, sente-se desconfortável, mas encara. Outra pessoa não consegue e prefere subir de escadas ou nem ir a andares altos. A intensidade do medo, o fato de não ter razão objetiva e realidade concreta e acompanhada de sintomas físicos é que definirá se é ou não medo patológico.

Ansiedade

“A ansiedade pode ser um sentimento normal diante de situações novas e desconhecidas, bem como, em certas condições, um sintoma de um processo patológico mental ou orgânico; pode, ainda, construir a própria doença – como é o caso dos transtornos de ansiedade.” (Cabrera; Junior, 2006)

“Ansiedade é um estado de humor desconfortável, uma apreensão negativa em relação ao futuro, uma inquietação interna desagradável.” (Dalgalarondo, 2000)

Em nossos ancestrais o mecanismo da ansiedade era utilizado para sobrevivência da espécie. Como estado de alerta e prontidão para a luta pela vida. O que vemos hoje é a sobrevivência no sentido da competição no trabalho, no casamento, na família, na escola. Ou seja, continuamos em estado de alarme. E a ansiedade aparece como sentimento de apreensão.

O homem passa a vida inteira adaptando-se às novas situações. A possibilidade da mudança causa desconforto em variados graus de sofrimento; essa percepção do novo é individual, o que transforma a ansiedade em diferentes intensidades. Como lidamos com situações novas? Como lidamos com a possibilidade do futuro? Como pensamos sobre o amanhã? São algumas das perguntas a serem respondidas por cada um de nós.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Depressão (eleita pela enquete)

O termo Depressão pode significar um sintoma que faz parte de inúmeros distúrbios emocionais sem ser exclusivo de nenhum deles, pode significar uma síndrome traduzida por muitos e variáveis sintomas somáticos ou ainda, pode significar uma doença, caracterizada por alterações afetivas.

É muito comum a banalização do termo “depressão” hoje em dia; e na maioria das vezes existe uma confusão com o sentimento de tristeza. Estar triste é inerente ao homem. Somos todos capazes de momentos que maior introspecção e retraimento. A depressão aparece a partir da intensidade e duração dos sintomas. O que ocorre é que as pessoas não se permitem chorar. Há um culto a felicidade e ao estado de ânimo sempre alegre. As pessoas socialmente precisam sempre se mostrar dispostas ao convívio social, ouvir músicas agitadas, ir a filmes leves. A tristeza, como aprendizado e reflexão; é vista pela maioria como algo ruim.

Driblar a tristeza como forma de escapar da frustração. Mas é a partir das coisas perdidas, da não superação de um obstáculo que a pessoa amadurece. E assim reconhece seus limites e para onde aponta seu desejo.

As moiras

Na Antiguidade os gregos consideravam que cabia às moiras tecer o destino e cortar o fio da vida quando necessário. As moiras era representadas por três irmãs: Cloto, Laquesis e Antropos. Consideradas filhas da noite e governantas do destino dos seres humanos; elas teciam o fio da vida sem que ninguém pudesse interrompê-las nessa tarefa. Cloto, a mais jovem, fiava a teia do destino humano; Laquesis era a encarregada de colocar o fio no fuso, determinando a sua longitude; e, Antropos, a mais velha, cercava-se de vários fios pequenos e longos conforme a duração da vida de cada mortal. Tinha ela a triste missão de cortar o fio da vida dos mortais. Os gregos prestavam grandes homenagens a elas por temê-las como símbolo do fatalismo. A morte, então, não dependia do homem, mas sim das moiras.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Labirinto terapêutico

Símbolo encontrado na mitologia de vários povos, os labirintos começam a se multiplicar pelo mundo. Agora, podem ser vistos no chão de parques no centro de cidades como Toronto, no Canadá, e em um número cada vez maior de hospitais nos Estados Unidos e Inglaterra. Mas por que essa figura antiga está voltando com tanta força? “Os labirintos se mostraram uma ferramenta eficiente para aliviar a tensão emocional e muscular. Por isso, oferecem grandes benefícios à saúde”, explica o neurologista Afonso Carlos Neves, chefe do setor de neuro-humanidades da Universidade Federal de São Paulo e introdutor da prática no Brasil.

O labirinto é utilizado por pacientes com problemas neurológicos e psiquiátricos, acompanhantes e até funcionários. E, ainda que o ato de andar até o centro do desenho, sentar-se ali alguns minutos e depois voltar pelo mesmo caminho pareça brincadeira, produz efeitos notáveis sobre o humor e a disposição de quem se entrega à experiência. “Eles não erradicam doenças, mas ajudam na recuperação emocional, o que acaba indiretamente melhorando a imunidade, por exemplo”, diz Neves.

O link abaixo está a matéria completa publicada em IstoÉ.

http://www.istoe.com.br/reportagens/103771_A+TERAPIA+DO+LABIRINTO

Up in the air (amor sem escalas)

Hoje resolvi comentar sobre o filme Up in the air, do diretor de Juno com um roteiro muito bem construído, que o título em português (Amor sem escalas é péssimo). Mas é um filme que recomendo muito.

Ele a princípio parece ingênuo, ou mais uma daquelas comédias românticas cheias de clichês e quando vemos somos tomados por constatações sobre nós mesmos e sobre como lidamos com o outro (seja ele no trabalho, em casa, um amigo ou no amor).

Fala sobre escolher entre se lançar ao mundo dos relacionamentos ou ficar sozinho, mas sem melodrama e nem lição de moral. Não levanta nenhuma bandeira apenas nos faz pensar. Muitas pessoas confundem estar solteiro com solidão e desamparo. Mas isso fica para outra postagem.

Além de tudo isso que já é muito, existe toda a crítica social de como as empresas demitem os funcionários e de como as pessoas durante a vida resignificam seu modo de pensar, seus comportamentos e as próprias escolhas.

É ótimo para refletir sobre nossas próprias atitudes.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Loucura

Deixo com vocês três citações de diferentes autores sobre a loucura. É para pensarem a respeito e também o que cada um de vocês pensa sobre essa palavra "loucura".


A loucura passou por diferentes concepções ao longo de sua história. Influenciada pelo contexto histórico-social, ela vem sendo escrita alternando momentos de destaque e momentos de exclusão. Com isso, pode-se dizer que cada cultura realizará a imagem (no sentido de cena, quadro) do perfil da loucura. Segundo Foucault: cada cultura formará da doença uma imagem cujo perfil é delineado pelo conjunto das virtualidades antropológicas que ela negligencia ou reprime. (Foucault, 1975, p. 72)

A loucura não é ruptura com a humanidade, mas algo cuja verdade se esconde no interior da subjetividade humana. Nesse sentido, a loucura deixa de se referir ao não-ser e passa a designar o ser do homem. E através desse redimensionamento do problema, a reflexão sobre a loucura torna-se uma reflexão sobre o homem. (Frayze-Pereira, 1985, p.88)

A experiência da loucura questiona a própria estrutura do conhecimento. Será que o mundo é constituído dessa forma, dividido entre subjetivo e objetivo, tal qual como formulamos? (...) Podem ser questionáveis nossas certezas a respeito da garantia de um conhecimento objetivo da realidade toda, de um conhecimento que diga: isto existe e aquilo não existe. (Pompéia, 2004, p. 192)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Liberdade

O destino do homem é ser livre e ter o poder de escolha. Mas como conviver com a constante batalha do optar qual caminho seguir? É possível dar conta de viver no eterno vazio sem as “falsas certezas’?

O ser-no-mundo seria habitar a inospitalidade e também viver a experiência de desamparo e desabrigo. O des-envolver nos desabriga, mas é nossa condição de liberdade. O homem não é, ele é um poder-de-ser. Nascemos nomeados, mas somos em aberto, em constante construção.

O homem nunca chega a se acabar profundamente. Ele é incompleto. Ao homem não foi dado o permanecer, é uma busca constante. Somos condenados ao desenvolvimento (des-envolver), sair do envolvimento que estava para pegar o que se vem; ‘livrando-se de’, para estar ‘livre para’. E isso é uma destinação – com destino a.

A sensação da liberdade é boa; é o estar ‘livre para’. O caminho para atravessarmos até chegar à ‘liberdade para’ passa pela angústia; pelo nada. O estar livre é também estar solto, sozinho. E para isso vive-se no vazio. Muitas pessoas não suportam o vazio existencial; por isso optam por não se livrarem.

Slumdog Millionaire (Quem quer ser um milionário?)

Vencedor da enquete.

Sabe quando acabamos de ver um filme e não conseguimos juntar uma ideia de tão forte que ele é. A direção tensa e perfeita te prende atenção o tempo todo. Os atores indianos são muito bons. E o título - "slumdog" é uma ótima sacada!

O filme narra a história de um jovem indiano em um programa de perguntas e respostas. À medida que as perguntas são feitas ele se remete às experiências vividas para lembrar das respostas, ele sempre viveu algo que se relaciona com o que foi perguntado (sim, achei um pouco demais isso, mas no todo é uma licença poética para algo muito maior do que isso). E quando o filme acaba reparem no que acontece, é muito legal!

Enfim, vemos uma realidade miserável da Índia e o quanto as pessoas se entregam por dinheiro. Na miséria todos se nivelam e a luta pela sobrevivência é cruel. Se pensarmos no todo, o filme também fala sobre o quanto é importante termos um sentido na vida. Quantos conseguem se manter íntegros? E qual a capacidade de continuar vivendo em busca de um sonho? E o quanto vocês conseguem observar do mundo? Qual o nível de atenção sobre o que está a seu lado? O filme é intenso. Preparem-se para um olhar sobre o que há de mais humano.

E vocês sabem o nome dos Três Mosqueteiros?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ansiedade e Estresse


Embora a ansiedade favoreça a performance e a adaptação, ela o faz somente até certo ponto, até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência. À partir de um ponto excedente a ansiedade, ao invés de contribuir para a adaptação, concorrerá exatamente para o contrário, ou seja, para a falência da capacidade adaptativa.
A relação entre o nível de estresse e a performance; quando o estresse aumenta (linha horizontal) melhora a adaptação, até um ponto ótimo, daí em diante a performance começa a decrescer (vertical) até o a desadaptação e, finalmente, o esgotamento.

(fonte http://www.psiqweb.med.br)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Réquiem para um sonho

Um filme é a transformação do pensamento em palavra escrita, e esta, em imagem. Assim, podemos nos deter ao título do filme – Réquiem para um sonho como início de nossa interpretação.

Réquiem é uma palavra que, segundo o dicionário Houaiss, pode significar na liturgia: “prece que a Igreja faz para os mortos” e na música “composição sobre o texto litúrgico da missa dos mortos cujo intróito começa com as palavras latinas requiem aeternam ('repouso eterno')”.

O filme estabelece a relação direta entre vida e morte. Os personagens, cada um com seu vício, mostram-nos uma realidade cruel sobre até que ponto pode chegar a degradação humana.

Retomando o sentido de réquiem, podemos pensar em prece para os mortos; prece para aqueles personagens que vivem à margem da sociedade; prece para aqueles que como os personagens vivem suas vidas, exilados em si mesmos; e por fim, prece para todos que se arrastam até um final óbvio e de tão cruel muitas vezes nos vemos pensando e imaginando que eles possam morrer antes da deterioração total.

Se pensarmos que réquiem contém, na música, passagens bíblicas para a entrada de mortos no céu, defrontamo-nos com uma antítese. Céu simbolizando o paraíso (na concepção da Igreja) versus os personagens que vivem seus vícios e muito possivelmente não é visto como pessoas que caminham para o céu (“repouso eterno”).

O filme gira na antítese vida e morte. E desta forma, conta as diversas histórias sem maquiagem, sem suavizar. Somos colocados em estado de choque ao assistirmos o caminho que cada um traça em direção à degradação. É preciso colocar os nossos pré-conceitos em suspensão para então nos aproximarmos das histórias contadas.

O filme, através de imagens cruas, é uma grande missa dos mortos. E as palavras antitéticas vida e morte saem do roteiro e ganham a poltrona do cinema; estando ao nosso lado.

domingo, 29 de agosto de 2010

Ciência x Religião

O tema vencedor da enquete é ciência versus religião. Podemos conversar sobre esse assunto por horas. Resumi através do pensamento de Ian Barbour a relação de aproximação e oposição apresentadas abaixo. É para vocês pensarem e despertar a curiosidade em saber mais sobre o tema.
A sociedade e a mídia de forma geral insistem na propagação da idéia de que ciência e religião são conflituosas e disputam o mesmo espaço. Sabemos que nem sempre foi assim. Até o período do Iluminismo, ambas caminhavam juntas e por vezes misturadas. Basta lembrar de Galileu quando relacionou o estudo natural dos corpos celestes com a doutrina bíblica.
O físico e teólogo Ian Barbour relaciona quatro maneiras de se relacionar religião e ciência:
conflito; independência; diálogo e a integração.
Barbour relata o
conflito óbvio entre a criação do universo. A independência é difícil de manter, mas ao mesmo tempo não é olhar para ciência ou religião de forma hostil. O diálogo pode ser exemplificado com teoria científica do Big Bang que não aceita a teoria bíblica da criação do universo. A maior integração ocorre quando: tanto a ciência como a religião contribuem para uma visão de mundo coerente, desenvolvida numa metafísica abrangente.
A Psicologia, por exemplo, aproxima-se tanto da ciência (áreas biológicas e naturais – neurociências, cognitiva) como da religião (áreas humanas – psicanálise e outras teorias).

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Into the Wild (Na natureza selvagem)

Esse é para mim um dos filmes mais intensos que já assisti. Com ótimas atuações, trilha sonora na medida e direção do Sean Penn. Baseado em fatos reais narra a história de um jovem (interpretado por Emile Hirsch) em busca de sentido de vida. Por mais que em alguns momentos você chore, há o paradoxo da alegria em viver. A emoção é fruto da realidade. Nós choramos porque lembramos dos nossos medos e frustrações.

O jovem do filme caminha em busca de sua identidade, como se perguntasse a si mesmo: “Quem sou eu?”, “O que eu quero e o que eu posso ser?”. E mais além, “Existe espaço para mim?”.

Como é difícil para o homem apropriar de si mesmo. A tarefa de se escolher qual o caminho a seguir é a dura realidade humana. Mas escolher é inerente ao homem, sendo assim, está num eterno processo de procura.

O homem como ser-no-mundo é a partir de sua individualidade. Estamos no eterno processo de nos lançarmos ao vazio da dúvida, ao vazio do amanhã. O jovem do filme flerta com a solidão com espantosa segurança.

Em meio ao andar no mundo nós somos seres-com-os-outros; e que para esse convívio cedemos como filhos, pais, maridos, enfim, há uma constante troca em nome do equilíbrio.

O homem busca a felicidade como algo mítico, quando ela é parte do mais simples da vida. Talvez nos pequenos momentos nos tornarmos mais felizes.

Nosso caminho é a eterna busca de sentido, e de que a epifania fundamental é que a felicidade só é real quando compartilhada.

Bullying (parte 2)

O Bullying acontece em todas as classes sociais e é mais comum no ambiente escolar. A intimidação do outro é mais agressiva na adolescência, mas é muito comum na infância também. Os meninos tendem a ser mais violentos e as meninas agem mais na intriga e dissimulação.
Já falamos que muitas famílias delegam à escola a educação de seus filhos. E com isso, é comum que a família do agressor menospreze a reclamação da vítima. Pois, agem como se o filho agressor fosse forte, líder, carismático, popular; enquanto o outro é fraco, tímido. Dificilmente a família procura ajuda ao filho agressor, pois não os vêem como problema.
A sociedade privilegia o “vilão”. Basta acompanhar a repercussão dos personagens “vilões” em novelas, são sempre os mais populares nas ruas e muitos atores inclusive, aumentam suas participações em comerciais se fizerem “vilões” populares.
Funcionários das escolas como inspetores, cantineiros além dos professores são quem, em muitos casos, notam as intimidações feitas por um indivíduo ou grupo a um aluno.
Algumas cidades como Porto Alegre e Curitiba incluem o Bullying como agressão. A responsabilidade é de todos. Bullying só diminuirá quando deixar de ser tabu e for encarado como algo real.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pais, filhos e a sociedade

A construção do desenvolvimento infantil até a juventude passa pelo modelo familiar. No entanto, é cada vez mais comum, os pais delegarem às escolas a educação dos filhos.

Sabemos que a escola entre outras funções, é o ambiente de socialização e desenvolvimento do pensamento crítico. Ajudando a convivência com mundos diferentes.

Algumas crianças desde cedo realizam “brincadeiras” de fazer “experiências” em insetos, pequenos maus tratos de animais, destroem seus brinquedos e a família justifica tais atos como demonstração de interesse pelo mundo, ciência, agitação; quando na verdade, são sinais de perversidade.

Quando se dá então o limite? Dizer “não” ao filho é o que de mais verdadeiro os pais podem fazer. Explicar o porquê de não se poder realizar certas coisas é a construção da ética e moral do futuro jovem.

Ceder ao filho é sempre a opção mais rápida, ainda mais na configuração familiar atual. Não podemos esquecer que os pais ao educarem seus filhos formam cidadãos, com senso de justiça e responsabilidade social.

sábado, 21 de agosto de 2010

Último poema

“Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”

(Manuel Bandeira)

Manuel Bandeira quando jovem teve pneumonia e com isso passou a vida inteira com a ideia de que morreria em breve; mas viveu até seus 80 anos e com isso muitos de seus poemas carregam a melancolia e a sensação de sempre estar à espera do pior.

Frases curtas, pensamento objetivo, liberdade no uso das palavras, simplicidade na escrita, ironia e a crítica são características do modernismo.

Ao mesmo tempo em que o poema nos mostra a realidade ele nos mostra o improvável – “flores sem perfume”, “soluço sem lágrimas”. E falando sobre o improvável ele fala sobre ilusão.

Seguindo o título do poema, Manuel Bandeira nos indica como gostaria de ser lembrado e assim; resume no último verso todo seu pensamento. Mas também ao citar a paixão dos suicidas ele nos conta sobre a falta de sentido, sobre o paradoxo que é nosso caminho pela vida. Sobre ilusão e desilusão. Somos convidados a pensar no que não tem explicação, no que a falta de sentido e significado causam.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O eu e o outro

Falar sobre desfecho é ao mesmo tempo falar sobre a relação entre ilusão e desilusão. A ilusão é expectativa de ser, e dessa forma transita pelo mundo da fantasia e do desejo. Ao mesmo tempo nos mostra a realidade enquanto significado do momento em que se vive. A ilusão caminha para a des-ilusão enquanto forma de não aceitação do real.
E aqui podemos pensar nos desfechos. Sejam eles de emprego, mudança de cidade, transição do status de estudante para o de profissional, rompimento do relacionamento, enfim, tudo que cumpre o seu ciclo e precisa se resignificar. Frases como: “tudo passa”, “isso não é nada” faz com que a pessoa sinta que tudo o que viveu foi ilusão, quando na verdade ela precisa ser ouvida na sua individualidade sem análises prontas.
Dessa forma podemos pensar que o início de um novo ciclo e assim de um novo sonho é um “começar de novo” (que tem caráter de novidade) e não um “começar outra vez” (que é repetição). Reflitam sobre o pensamento do João Augusto Pompéia.

“Como experiência humana, desfecho é sempre fecho e des-fecho, encerra e propõe, tira alguma coisa e põe outra no lugar. Essa nova coisa pode ser um jeito novo de ser. Perceber esse movimento que faz com que todas as coisas passem, mas não desapareçam, possibilita que, ao reuni-las, possamos compor algo com sentido a que chamamos de nossa história.”

domingo, 15 de agosto de 2010

Bullying

“Bullying é um termo inglês para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully - valentão) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.”

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying)

Pesquisas apontam que o agressor tem personalidade autoritária com necessidade de controle e poder. Há conteúdo de perversidade no ato e prazer no domínio do outro.
Apelidos pejorativos, boatos, maledicências, intimidações físicas e verbais, domínio do espaço; enfim, são sempre ações intencionais para humilhar e intimidar suas vítimas.
Por que as crianças e adolescentes não contam aos pais: Basicamente porque 1) os agressores os ameaçam e também a suas famílias; 2) por acharem que as próprias famílias os verão como fracos e covardes e que não serão aceitos também no ambiente familiar.
Como identificar: A criança e o adolescente se sentirem mal pouco tempo antes de irem ao locar onde sofrem bullying; apatia, tristeza, falta de vontade de fazer as coisas.
Consequências: baixo rendimento escolar, perda de vontade de realizar as atividades, depressão, ansiedade, estresse e suicídio.
Bullying existe em todas as classes sociais, em todas as escolas. Não existe a frase “aqui não se tem bullying”. Encarar o fato é o primeiro passo.

Os jovens e o álcool em São Paulo

Pesquisa de 2010 da Unifesp em escolas privadas de São Paulo aponta que:

- 40% dos estudantes haviam bebido no mês anterior à pesquisa;

- 46% dizem que o primeiro consumo de álcool ocorreu em casa;

- O álcool é também a droga que começa a ser consumida mais cedo, com média de idade de 12,5 anos;

- No ensino médio, 33% dos alunos consumiram álcool no padrão conhecido como binge drinking;

- Outros fatores de risco para o comportamento binge, segundo a pesquisa, foram o sexo (o risco aumenta em 70% entre os meninos), idade (50% para cada ano a mais), pais separados (30% mais risco), não confiar em Deus (40%) e não conversar com os pais (60%);

- A condição socioeconômica também influencia: o risco é duas vezes maior entre os alunos das escolas com mensalidade acima de R$ 1,2 mil;

Nota:

  1. O comportamento binge se caracteriza pelo consumo, na mesma ocasião, de cinco ou mais doses de 14 gramas de etanol – valor correspondente a cinco latas de cerveja (ou copos de vinho ou doses de bebida destilada);
  2. “O estudo revelou padrões de consumo que merecem atenção entre os estudantes da rede particular, em especial em relação ao álcool. Um terço dos alunos do ensino médio relatou prática de binge drinking no mês anterior ao estudo, o que é uma porcentagem extremamente elevada. Esse comportamento traz alto risco, pois o adolescente embriagado fica em situação de vulnerabilidade em vários aspectos da vida, favorecendo brigas, acidentes de trânsito e sexo desprotegido, por exemplo”, disse Ana Regina à Agência FAPESP.
  3. Lembrar que o álcool se liga ao receptor Gaba no cérebro causando um efeito sedativo. Após esse relaxamento passa a euforia e depois depressão.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

As Horas

Hoje escrevo sobre o filme “As Horas” do diretor Stephen Daldry baseado no livro homônimo de Michael Cunningham. Com elenco formado por: Meryl Streep, Julianne Moore, Nicole Kidman e Ed Harris.
Em três épocas distintas as personagens enfrentam dilemas e situações entrelaçados pelo livro Mrs. Dalloway de Virginia Woolf.
Destaque para a primorosa edição, que enquanto Viriginia Woolf escreve seu romance as outras mulheres, em diferentes épocas, são influenciadas pelo texto da escritora inglesa e as cenas apresentam continuidade perfeita.
A relatividade do tempo e o que este provoca nas pessoas é evidenciada no título do filme – “As Horas”. O tempo é o tempo de cada um. E assim enfrentamos o tempo da espera (futuro), o tempo presente e o tempo passado. Conviver com a lentidão da espera, a falta de sentido e a busca por um mínimo significado é o que nos conta o filme.
O sentido é individual e, portanto gerado pelo homem. A fenomenologia, em linhas gerais, nos diz que o caminho existencial é um processo de procura; o andar junto construindo cada etapa como um artesão.
Cada personagem apresenta um sentido de vida mesmo que seja a ausência de sentido (notem que todos os personagens caminham pelas idéias suicidas). As escolhas são complexas e a manutenção do ambiente sem perspectiva aumenta a tensão do roteiro.
O mundo que cada um absorve é que define suas ações. Lembrando que o homem como ser-no-mundo e ser-ai-com-os-outros deve sim conviver no mundo. No fundo as personagens falam de cada um de nós. Bom filme!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Nossas conexões

O debate de hoje sobre o sistema prisional foi inspirado no excelente programa – Conexões Urbanas – exibido pelo canal Multishow. O programa apresentado pelo José Júnior fala sobre os vários guetos em que a sociedade se dividiu e apresenta meios de unificar e aproximar as pessoas em prol de algo comum. É para assistir e refletir.

Mas retomando o assunto, eu aqui não tenho tantos conhecimentos técnicos acerca do tema. Mas vale a discussão. Sempre que vejo imagens de um presídio me remonta a velha ordem da frase “quanto mais longe melhor” adotada pelos regimes conservadores. É sempre mais fácil aprisionar do que mudar a base do problema.

Mas deixando as questões políticas de fora, o que se vê é que ao menos metade dos presos que estão lá seriam reintegrados à sociedade se as prisões oferecessem condições para isso.

Nesse programa falou-se sobre a escola dentro da prisão, o recebimento de salário para os serviços prestados, os cursos técnicos e toda estrutura digna que se deve oferecer.

Desde as escolhas feitas antes da prisão (o meio influenciando no comportamento ilícito) e a sobrevivência em grupo no confinamento dependerá de como a pessoa lida com a frustração; em outras palavras, em quanto a pessoa é ou não resiliente.

O dicionário Houaiss define resiliência como “propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica”. Em sentido figurado é a “capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças”.

Não podemos romantizar o ambiente prisional. Só proponho uma distinção entre presos e bandidos e em como a sociedade pode olhar para questões difíceis e encarar a situação que afinal é de todos nós. O que vocês pensam sobre o tema?


Site: http://www.eschola.com